sexta-feira, 27 de novembro de 2009

"É preferível mandar ou obedecer?" (2ª parte).

Sabemos que Jesus assumiu nossa fraqueza humana incluindo uma vida sincera e intensa de obediência (cf. Fil 2,6-11). Ser Salvador é conseqüência de ser primeiro obediente. Sua obediência garantiu a nossa salvação, sobretudo porque acreditou e seguiu a Palavra do Pai. Para Jesus a palavra do Pai é verdade (cf. Jo 17,17).


Jesus deve ser o nosso maior modelo de obediência. Quando nos dispomos a seguí-lo, também devemos nos comprometer a aderirmos sua exemplar obediência. Assim, a obediência Cristã torna-se um desejo sincero de querer continuar profeticamente a obediência de Jesus Cristo e participar com ele na salvação do mundo hoje, realizando também a vontade do Pai .

Porém, entre a teoria e a prática há uma grande distância que precisa ser superada. No mundo de hoje, a obediência só existe praticamente em função de algum interesse, o valor da deferência gradativamente vai sendo esquecido, tudo “em nome de um progresso” de mentalidade. Os indivíduos julgam ser superiores de si mesmos, e hesitam em submeter-se a outros. Os vínculos religiosos são cada vez mais descartados, porque exigem observância de mandamentos, as pessoas temem ser corrigidas e não conseguem enfrentar sua incapacidade de obedecer a Deus (aos mandamentos). Quando se submetem, fazem com certa falsidade, por interesse e não há uma totalidade existente na virtude, não há entrega, não há liberdade, embora haja uma responsabilidade aparente.

Em suma, é o amor que determina a perfeição da obediência, pois a obediência não consegue ser livre e unida à verdade, se antes, não estiver fundamentada no amor. É o amor que proporcionará uma obediência livre, pura, sincera e integrada a Verdade. É o amor que fortalecerá o homem a perseverar na obediência, mesmo quando lhe for difícil. Enfim, o amor é a motivação da obediência e de tudo que a concerne. Assim podemos entender o valor subjetivo da obediência de Jesus que desde a encarnação até a morte de cruz, considerou o seu amor pelo Pai (e vice-versa) como a capacidade para realizar com afinco sua missão, sempre pautada na obediência. Não como uma marionete, mas com sua liberdade total (Humana e Divina) de querer o querer do Pai e com amor realizá-lo.

É o amor que transforma o nosso desejo humano no querer Divino e motiva nossa obediência, porque nem sempre o que queremos é o que podemos e necessitamos. Por sua vez, o amor gera na alma um despojamento de si, uma humildade para aceitar o que o outro pode oferecer e ensinar e a disposição para obedecer concretamente na entrega necessária. O amor nos insere na escola da obediência que para nós cristãos católicos é a Igreja. Os mandamentos, os sacramentos e a forma de vivê-los dinamizam a vida Cristã e nos amadurece nessa busca contínua de uma obediência perfeita.

Quando optamos pelo amor, nos tornamos livres na obediência que nos conduz à Verdade, e o resultado desse itinerário será a alegria. Então: Liberdade(Obediência) + Verdade(Jesus) = Felicidade(Alegria).

A mesma alegria que o apóstolo Paulo tanto aconselhava aos Filipenses: “Alegrai-vos no Senhor! Repito: alegrai-vos!” (Fil 4,4). Uma alegria própria de quem se encontra com Jesus Cristo (a Verdade), considerando sua cruz e ressurreição que revelam Seu grandioso e presente amor, que motiva o nosso amor (nossa liberdade) a imitarmos com radicalidade sua obediência.

Ou seja, obedecer é a ação que motivada pelo amor (despojamento, humildade entrega), direciona a liberdade humana para a Verdade. É um itinerário que exige um esforço permanente, mas que faz a alma experimentar uma alegria recompensadora. A alegria não é outra coisa a não ser experimentar a Salvação que nos é oferecida por Deus e acolhida por nós a partir da nossa obediência.



Em suma, Obedecer não é questão de opção, mas é questão de Salvação.




Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...