domingo, 3 de janeiro de 2010

Salmo 117 - Canto de alegria e salvação (Meditação do Pp. João Paulo II).


Salmo 117(118)

Canto de alegria e salvação
Ele é a pedra, que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular (At
4,11).


1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! *
'Eterna é a sua misericórdia!' –

2 A casa de Israel agora o diga: *
'Eterna é a sua misericórdia!'
3 A casa de Aarão agora o diga: *
'Eterna é a sua misericórdia!'
4 Os que temem o Senhor agora o digam: *
'Eterna é a sua misericórdia!'

5 Na minha angústia eu clamei pelo Senhor, *
e o Senhor me atendeu e libertou!
6 O Senhor está comigo, nada temo; *
o que pode contra mim um ser humano?
7 O Senhor está comigo, é o meu auxílio, *
hei de ver meus inimigos humilhados.

8 É melhor buscar refúgio no Senhor, *
do que pôr no ser humano a esperança;

9 é melhor buscar refúgio no Senhor, *
do que contar com os poderosos deste mundo!'
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

10 Povos pagãos me rodearam todos eles, *
mas em nome do Senhor os derrotei;
11 de todo lado todos eles me cercaram, *
mas em nome do Senhor os derrotei;

=12 como um enxame de abelhas me atacaram, †
como um fogo de espinhos me queimaram, *
mas em nome do Senhor os derrotei.
13 Empurraram-me, tentando derrubar-me, *
mas veio o Senhor em meu socorro.
14 O Senhor é minha força e o meu canto, *
e tornou-se para mim o Salvador. –

15 'Clamores de alegria e de vitória*
ressoem pelas tendas dos fiéis.
=16 A mão direita do Senhor fez maravilhas, †
a mão direita do Senhor me levantou, *
a mão direita do Senhor fez maravilhas!'

17 Não morrerei, mas, ao contrário, viverei *
para cantar as grandes obras do Senhor!
18 O Senhor severamente me provou, *
mas não me abandonou às mãos da morte.  
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

19 Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; *
quero entrar para dar graças ao Senhor!
20 'Sim, esta é a porta do Senhor, *
por ela só os justos entrarão!'
21 Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes *
e vos tornastes para mim o Salvador!

22 'A pedra que os pedreiros rejeitaram, *
tornou-se agora a pedra angular.
23 Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: *
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
24 Este é o dia que o Senhor fez para nós, *
alegremo-nos e nele exultemos!

25 Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, *
ó Senhor, dai-nos também prosperidade!'
 –26 Bendito seja, em nome do Senhor, *
aquele que em seus átrios vai entrando!
 – Desta casa do Senhor vos bendizemos. *
27 Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine! –

– Empunhai ramos nas mãos, formai cortejo, *
aproximai-vos do altar, até bem perto!
28 Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! *
Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!
29 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! *
'Eterna é a sua misericórdia!' 






Em todas as festividades mais significativas e alegres do antigo judaísmo – em particular na celebração da Páscoa – se cantava a seqüência dos Salmos que vão do 112 ao 117. Esta série de hinos de louvor e agradecimento a Deus era chamada Hallel egípcio, porque em um deles, um Salmo 113 A, era evocado de modo poético e quase visível o êxodo de Israel da terra da opressão, o Egito faraônico e o maravilhoso dom da Aliança divina. Se bem que, o último Salmo que sugere este Hallel egípcio é mesmo o Salmo 117, agora proclamado por nós (na Liturgia das Horas).
Este cântico revela claramente um uso litúrgico dentro do templo de Jerusalém. Na sua trama, de fato, se dar uma procissão que se inicia entre as tendas dos fiéis (v. 15), isto é, nas casas dos justos. Estes exaltam a proteção da mão divina, capaz de amparar que é reto mesmo quando surgem adversários cruéis. A imagem usada pelo salmista é expressiva: Como um enxame de abelhas me atacaram, como um fogo de espinhos me queimaram, mas em nome do Senhor os derrotei (v.12). Diante desse grande perigo, o povo de Deus prorrompe em clamores de alegria e de vitória (v.15) em honra da mão direita do Senhor que fez maravilhas (cf. v. 16). Possui a sabedoria de não estarmos jamais sozinhos, em batalha desencadeada por ímpios. A ultima palavra, na verdade, é sempre a de Deus, que permite a prova dos seus fiéis, mas não os abandona às mãos da morte (cf. v.18).
Neste ponto, a procissão alcança a meta desejada pelo salmista por meio das portas da justiça (v.19). Isto é, da porta santa do templo de Sião. A procissão acompanha o herói ao qual Deus deu a vitória. Ele pede que lhe sejam abertas as portas, para que possa dar graças ao Senhor (v.19). Com ele entram os justos (v. 20). Para exprimir a dura prova que superaram e a glorificação que a resulta, ele compara a si mesmo a uma pedra que os pedreiros rejeitaram que depois tornou-se a pedra angular (v.22). Cristo mesmo assumirá esta imagem e este versículo, ao fim da parábola dos vinhateiros homicidas, para anunciar a sua Paixão e a sua glorificação (cf. Mt. 21,42).
Aplicando o Salmo a si mesmo, Cristo abre caminho à interpretação cristã deste hino de confiança e de gratidão ao Senhor pelo seu hesed, ou seja, a sua fidelidade amorosa que perpassa todo o Salmo (cf. Sl. 117, 1.2.3.4.29). Os símbolos adotados pelos Padres da Igreja são dois. O primeiro deles, é o da porta da justiça, que São Clemente de Roma na sua Carta aos Coríntios assim comentava: “Muitas são as portas abertas, mas a da justiça está em Cristo. Felizes são todos aqueles que entram por ela e dirigem os seus caminhos na santidade e na justiça, tudo fazendo tranqüilamente”.
O outro símbolo, unido ao primeiro, é o da pedra. Nos deixemos, então, nos guiar em nossa meditação por Santo Ambrósio em sua Exposição do Evangelho segundo Lucas. Comentando a profissão de fé de Pedro em Cesárea de Filipe ele recorda que “Cristo é a pedra” e “mesmo ao seu discípulo, Cristo não recusou este belo nome, de modo que também ele seja Pedro, para que tenha a partir da pedra a salvação, a fé inabalável”.
Ambrósio introduz, então, à exortação: “Esforça-te para ser também tu uma pedra. Para isso, não procura fora, mas dentro de ti a pedra. A tua pedra são as tuas ações, a tua pedra é o teu pensamento. Sobre esta pedra é edificada a tua casa, para que não venha a ser  flagelada por nenhuma tempestade de espíritos maus. Se serás uma pedra, serás dentro da Igreja, porque a Igreja está sobre a está sobre a Pedra. Se estás dentro da Igreja,  as portas do inferno não prevalecerão contra ti”.

Pp. João Paulo II
Audiência Geral de 12 de Fev. de 2003.
Rivista Ecclesia Mater, nº 3; pp.05-07; Editrice Istituto Suore Figlie della Chiesa, 2003, anno XLI.
Tradução: Frater Henrique Maria Nascimento, sjs.

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