domingo, 7 de fevereiro de 2010

"Por que um santo? o verdadeiro João Paulo II"

No dia 26 de janeiro de 2010, o polonês Monsenhor Slawomir Oder (detalhe à direita), postulador da causa de beatificação do Papa João Paulo II, lançou um livro com novas informações sobre a sua vida pessoal. O livro, cujo título é: "Por que um santo? o verdadeiro João Paulo II",  fala de “mortificações corporais” e de vários aspectos de sua vida mística e de sua vida de oração. Porém, o que causou impacto na Mídia foi a seguinte afirmação de Monsenhor Oder: "Tanto em Cracóvia como no Vaticano, Karol Wojtyla se flagelava", citando depoimentos de pessoas do círculo mais próximo de João Paulo na época em que ainda era bispo em seu país de origem, a Polônia, e depois de ser eleito Papa, em 1978.
O livro também revela que João Paulo II muitas vezes recusava comida, especialmente no tempo da Quaresma. Este espanto por parte da imprensa sobre as ditas “práticas de mortificação” nos levam a nos questionarmos: será que compreendemos de fato o que seja a mortificação?
A mortificação pode ser definida como uma forma de ascetismo, um meio de ajudar as pessoas a levar vidas virtuosas e santas. É uma antiga prática cristã que consiste em realizar um sacrifício mental ou físico por amor a Deus com o objetivo de se unir à paixão e à cruz de Jesus Cristo e, portanto, como meio de participação na Redenção.
A prática da mortificação corporal ou interior tem acompanhado a Igreja desde os seus primórdios, remonta aos apóstolos e foi praticada por muitos santos: São João Batista vestiu-se com pele de cabra enquanto se afastou no deserto e jejuava. Santa Rosa de Lima, discretamente, usava espinhos por debaixo de uma coroa de rosas que portava com habitualidade. SãoThomas More, por debaixo da camisa de seda com que comparecia à corte de Henrique VIII, usava habitualmente uma outra de tecido grotesco, a título de cilício, como forma de sacrifício voluntário. O Papa Paulo VI, Madre Teresa de Calcutá e a irmã Lúcia de Fátima praticaram a mortificação corporal dentre muitos outros religiosos e leigos.
Nas últimas décadas, nossa sociedade hedonista tem “demonizado” a mortificação corporal, como se fosse algo próprio de personalidades doentias e mentalmente desequilibradas, o que é completamente falso. Pela mortificação, unimo-nos mais íntima e perfeitamente ao sofrimento redentor de Cristo que suportou a ignominiosa morte de cruz para nos remir dos nossos pecados com o Seu preciosíssimo sangue. É por meio da mortificação pessoal, que conseguimos desprender o nosso coração daquilo que é efêmero e futil deste mundo, sengo algo válido a todo cristão. 

“Jamais, se queres chegar a possuir a Cristo, o busque sem a cruz”. 
S. João da Cuz.

Frater Henique Maria, sjs, para:
Ed. Março/2010.

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