domingo, 11 de abril de 2010

Como recitar um Salmo de modo inteligente e com grande cuidado.

Para recitar os Salmos de modo inteligente é necessário estudá-los, ao menos um pouco e ao menos examinar os muitos passos do Novo Testamento (NT), o qual faz muitas referências dos Salmos. Os Salmos, assim, como o livro do Êxodo e o livro do profeta Isaías, são os mais citados. E, a parir do momento que o NT os menciona, interpretando-os, nos ajuda a entendê-os melhor.
Não são simplesmente antigas orações que conservaram a sua antiga riqueza com o passar dos séculos, se bem que, as Orações do povo de Deus a Caminho hoje nos dizem o que devemos pedir ao Senhor, o que devemos desejar e esperar. 

Todavia, é verdade que recitamos os Salmos na Liturgia das Horas, não experimentamos as vezes grande devoção. Talvez porque estamos cansados, ou porque ao recitá-los todos os dias, não conseguimos experimentá-los. Nos deixemos guiar por Santo Inácio de Loiola , que nos propõe diversos modos de rezar. 
Distingo, assim, três momentos aplicáveis a todas as orações vocais:
  • Na vida há momentos particulares de tensões espirituais, ou de grande sofrimentos nos quais, como para Jesus na Cruz, cada palavra no Salmo tem um significado profundo de salvação, que nos nutre e nos sustenta.  Recitando os Salmos  podemos descansar sobre aquela palavra que nos tocou mais, que exprime o nosso estado de alma, o nosso desejo de perdão, de ajuda, de esperança a nossa alegria e aumenta a nossa devoção.
  • Há também, momentos de tranqüilidade, nos quais, recitando os Salmos, não percebemos a necessidade de nos aprofundar no significado de cada versículo. A nossa mente e o nosso coração se deixam envolver por uma onda de uma devoção intensa, juntamente com uma calma.
  • Há ainda um terceiro modo de oração que é esclarecido gradualmente... (Este modo é utilizado por monges da Igreja Católica Oriental.) Para os orientais, a simples pronúncia da palavra de Deus, purifica a boca e o coração. Temos como exemplo, o que nos acontece durante a recitação do Terço ou Rosário: não pomos a atenção a cada expressão das Ave-Maria, mas a repetição purifica o coração, dando tranqüilidade e paz. (Podemos fazer o mesmo com as palavras/versículos dos Salmos!).
É como um terreno, onde as flores da oração crescem por obra do Senhor. Nós oferecemos o terreno e mesmo este é um modo de rezar com devoção. 
    Existem, contudo, modos e tempos diferentes e o Senhor nos sugerirá, vez por vez, qual é o mais apropriado para a atitude interior ou para o estado de alma no qual nos encontramos.

    Cardeal Carlo Maria Martini, em "Il desiderio di Dio, pregare i salmi".
    Tradução: Frater Henrique Maria, sjs.



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