domingo, 2 de maio de 2010

A Igreja que o mundo não conhece: Os ataques no fim do Ano Sacerdotal...

Nesta semana recebi por e-mail de um amigo religioso agostiniano uma carta do Pe. Eduardo Braga (Dudu), da FRATERNIDADE SACERDOTAL CENÁCULO (do RJ), que tanto admiro como exemplo de sacerdote e pessoa. Transcrevo abaixo:

É inegável que a Igreja Católica, espalhada pelo mundo inteiro, se destaque por sua incidência e influência em todos os níveis da sociedade. Em 2008, em todo o planeta, os católicos somaram 1 Bilhão, 166 milhões de fiéis batizados; 19 milhões a mais do que no ano precedente.
São João Maria Vianney, o Cura D'Ars, afirmava que os inimigos da Igreja que quisessem persegui-la, tocariam primeiramente em seus sacerdotes.
Não foi eventualmente que o Papa Bento convocou um Ano Sacerdotal para toda a Igreja. Tal ano é positivo e propositivo, afirmou em uma ocasião Dom Cláudio Hummes.
Num mundo marcado fortemente pela secularização, a figura do sacerdote, sofre todavia, para afirmar a sua própria identidade e missão. O Ano Sacerdotal é também uma proposta para revalorizarmos os nossos sacerdotes, que em geral, são extremamente dedicados e fiéis. O mesmo Dom Cláudio, já como Cardeal responsável pela Congregação do Clero, sem ''tapar o sol com a peneira”, chegou a afirmar que os sacerdotes infiéis constituem apenas 1% do clero mundial. No momento presente e na atual conjuntura da cultura dominante, o sacramento da ordem é ridicularizado, oprimido e desprezado, porque nesse sacramento se oprime e denigre a Igreja de Deus e a Deus mesmo, representado em seus sacerdotes.
Também não podemos ser ingênuos ao ponto de esquecer que não deve ser subestimada a influência de uma difundida cultura relativista, frequentemente carente de valores que veiculam pela mídia as piores e mais decaídas imagens de sacerdotes. Qual foi a última vez que a televisão mostrou um sacerdote feliz e realizado? No Ano passado, trinte e sete missionários foram mortos. A mídia não deu sequer destaque a este dossier emitido pela Agência Fides. Um número tao alto de sacerdotes assassinados não era registrado nos últimos dez anos. Noticias como essa, não estão em relevo na telinha porque contradizem a falsa imagem que a mídia faz da Igreja Católica no Brasil. Perseguida pelos tiranos do mundo moderno, ela é vista como retrógrada e rígida, incapaz de entender e aceitar o mundo que mudou. Odiada por aqueles que manipulam a atual cultura de morte, ela é vista como uma instituição falida a ser liquidada para a liberdade total da humanidade. Esquecem eles que sobre ela existe uma promessa divina: “E as portas do inferno não prevalecerão sobre ela”.
Por outro lado, são escandalosamente divulgadas todas as noticias (provadas ou não) que envolvam a fragilidade de seus representantes. Interessante que reportagens como estas apresentadas pelo SBT Repórter venham ao ar justamente quando a Igreja no Brasil reage (como sempre sozinha) a elaboração de um programa do governo Lula chamado “III Programa Nacional de Direitos Humanos” que prevê o aborto, o casamento de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por casais homo-afetivos, a retirada de símbolos religiosos de lugares públicos. Que sociedade civil será essa que não inclui a Igreja, a imprensa, o judiciário e os produtores rurais? Estaríamos diante de direitos humanos? Será, que como afirmou Dom Roberto, nosso Bispo Auxiliar, não percebemos na redação e na formulação a confusão de interesses com direito?
O Brasil sabe que a Igreja sustenta quase 30% das estruturas de saúde no mundo? Que possui 117 mil centros de saúde, 18 mil dispensários e 512 centros para pessoas com hanseníase?
Algum jornal nesta mesma semana falou da morte do Bispo chines Dom Raimundo Wang Chonglin que passou 20 anos de sua vida na prisão comunista? O mundo conhece o testemunho do Cardeal viatinamita Van Thuan? Algum livro famoso já narrou a história de Damião de Molokai? Alguém coloca em relevo a fidelidade sacerdotal de João Paulo II? Porque ninguém fala dos altíssimos indices de escandalos e crimes cometidos por “pastores”. Por que não se informa que muitos “pastores” protestantes hoje são traficantes de armas e os bandidos do comando vermelho se declararam evangélicos?
Nós continuamos a crer no testemunho fiel de tantos sacerdotes espalhados no mundo inteiro, trabalhando e se consumindo no silêncio e despercebidos pela mídia, que continuam morrendo no anonimato. Sacerdotes serão sempre sinais de contradição para o mundo, cuja lógica é inspirada quase sempre pelo hedonismo, o materialismo e o egoísmo. Somente uma Igreja pobre e fiel torna crível o Evangelho! O Papa acredita e escreveu que o futuro das vocações depende do testemunho dos sacerdotes.
A Igreja não pode e não esta fazendo “vista grossa” diante dos pecados de seus ministros e filhos. Por exemplo, várias vezes o Papa já afirmou que um abuso sexual contra uma criança ou um jovem não é apenas um crime hediondo, mas um pecado gravíssimo que ofende a Deus. O Papa tem exortado os Bispos a agirem com paternidade, mas firmeza. É preciso enfrentar tais crises com coragem, honestidade e fé.
O cuidado com aqueles que sofreram tais abusos é algo também claro e necessário no coração do Papa. Se fará também necessário um aprofundamento da questão a nível teológico, exortando os candidatos ao sacerdócio a uma melhor preparação humana, espiritual, acadêmica e pastoral. A Igreja sofre e chora com a infidelidade de alguns de seus filhos sacerdotes; mas não os deixará impune, porque sabe que será preciso aplicar sobre eles as penas civis e canônicas. A paganização dos sacerdotes na roda viva do mundo secularizado que os transforma em funcionários do sagrado no corredor fúnebre do ativismo vazio e superficial não pode ser apontada como causa principal. Há culpa por parte deles e omissão por conta de alguns bispos. A Igreja, diante de tais escândalos (quando forem reais) precisa de nova credibilidade moral e espiritual. E por mais que nos gerem indignação e repulsa, os sacerdotes precisam de nossa oração e misericórdia.
Os padres são Igreja, mas a Igreja não está resumida e sustentada neles. Generalizar é perigoso e quase sempre falso. Não é possível julgar uma instituição milenar e divina apenas pela postura de uma minoria de seus ministros. Sabemos que eles não são deuses, mas cremos que são os “Homens de Deus”, os escolhidos do Senhor que foram enviados . Os erros individuais de membros da Igreja não podem ser motivos de abandono da Igreja de Jesus.
Esperávamos que no fim do Ano sacerdotal tivéssemos que enfrentar várias dificuldades por parte de uma mídia ateia e marxista. Como Maria, a Igreja não tem medo, porque o Menino Deus é a Sua Força! Numa palavra, a Igreja ama os sacerdotes, pede perdão por eles, e continuará a anunciar por toda a parte o Evangelho de Cristo, apesar das perseguições, as discriminações, os ataques e a indiferença, por vezes hostil, mas que consentem de partilhar a sorte de Seu Fundador e Mestre.


Pe. Eduardo Braga (Dudu)
Rio Bonito, 15 de Março de 2010 a.D





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