sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Mudanças para 2011...

Bem, como já anunciado, estamos em fase de manutenção em nosso blog. Mudanças necessárias e esperadas para este novo ano de 2011.
AGUARDEM...!

FELIZ ANO NOVO PARA TODOS OS NOSSOS LEITORES!

SOLENIDADE DE SANTA MARIA, MÃE DE DEUS (01 de Janeiro de 2011).

“Maria guardava cuidadosamente todos estes fatos e meditava sobre eles no seu coração”.


Leituras: Nm 6, 22 – 27; Gl 4, 4 -7; Lc 2, 16 – 21

Transcrevo abaixo o comentário à liturgia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes - São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense. Tive o prazer de conhecê-lo no mês de outubro do ano corrente. Comentário noticiado pela Ag. de Notícias Zenit.

No oitavo dia da solenidade do Natal, no cume, por assim dizer, do dinamismo vital com que o Espírito Santo fecundou a Bem-Aventurada Virgem, a Igreja contempla e celebra na fé e na alegria o mistério de Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja e da nova humanidade renascida em Cristo.


Durante o tempo do Advento, a liturgia ficou repetindo todos os dias a saudação do anjo: “Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo; és bendita entre todas as mulheres da terra” (Liturgia das Horas: Antífona da Hora média; cf Lc 1, 28; 42).

A virgem Maria é saudada pelo anjo, e celebrada pela Igreja, como aquela que de maneira única está portando no seio e irradia ao redor de si mesma a graça de Deus feita pessoa, o Filho do Altíssimo que já no seu próprio nome, Jesus, indica sua profunda identidade e sua missão: revelar a benevolência do Pai, salvar e resgatar do mal toda a humanidade e abrir novamente para ela o caminho para a casa do Pai. Maria, Mãe de Deus, participa também na geração da nova humanidade, cujas primícias é a pessoa do próprio Jesus (cf. Rm 5, 15-19).

Deus continua seguindo o critério da simplicidade, da fraqueza, do “esvaziamento” (cf. Fil 2, 6-11); critério este, escolhido desde o início para se manifestar e atuar na história. Ele suscita a resposta livre da fé por parte de todos os parceiros que chama para colaborar na sua obra redentora. Assim como fez com Abraão, pai dos crentes, com os patriarcas e com os profetas, do mesmo modo atua com Maria e com José. Ao cumprir-se o tempo estabelecido por Deus de realizar seu projeto de salvação, não envia seu Filho do céu, em maneira espetacular, mas Ele “nasce de mulher” como todo homem, e está inserido na história gloriosa e ambígua do povo de Israel, destinatário primeiro da aliança e portador da esperança para todos os povos (cf. 2ª leitura - Gl 4, 4-5).

O lugar onde se cumprem as promessas de Deus e se manifesta a sua potência que salva não é a nobre cidade de Jerusalém, nem o lugar sagrado do templo, mas o menino recém-nascido, deitado numa manjedoura. Somente os pobres e os simples de coração, afinados com Deus, como os pastores, conseguem receber o surpreendente anúncio do céu e acreditar nele. Os pastores de Belém representam os pobres de todos os tempos, no solícito caminho rumo ao menino, assim como na capacidade de reconhecer com estupor no recém nascido da manjedoura, o Salvador esperado pelo povo e anunciado pelos anjos. Pela luz interior que os acompanha, eles se tornam “anunciadores da boa nova” até para aqueles que se encontram junto do menino, suscitando maravilha mesmo nos pais dele (Lc 2, 16-18).

Para todos os efeitos, Jesus, o Filho do Pai, é também o filho do seu povo, da experiência humana, espiritual e cultural de sua gente, do seu tempo. O papa João Paulo II, na sua histórica visita à sinagoga de Roma (1986), quis lembrar a todos os cristãos que os judeus são nossos “irmãos maiores”, e que desta carne nasceu Jesus. Ao seguir a novidade produzida pelo próprio Jesus, não podemos esquecer as raízes judaicas da experiência cristã. É a fidelidade ao mistério da Encarnação que exige de nós tal atenção. O esquecimento desta perspectiva não é estranho aos devastadores critérios que ao longo dos séculos marcaram infelizmente as relações entre cristãos e judeus, até a Shoa, o holocausto do povo judeu, ocorrido no século passado.

Neste povo e nesta história santa o menino Jesus é inserido plenamente com o rito simbólico da circuncisão ao oitavo dia depois do nascimento, - como lembra o Evangelho de hoje - quando recebe o “nome” escolhido por Deus e preanunciado pelo anjo. Assim como acontecia nos tempos de Jesus, ocorre ainda hoje no povo de Israel a circuncisão com os meninos recém-nascidos.

Os profetas (cf Jr 4,4), assim como o Novo Testamento, reivindicam a dimensão interior da circuncisão, a “circuncisão do coração”, enquanto sinal da aliança e da fidelidade ao Senhor. Paulo ensina com vigor que a autêntica circuncisão que faz o verdadeiro Israel, é a do coração (cf Rm 2, 25 - 27; Gl 5,5). Por isso a profissão de fé em Jesus e o batismo, desde muito cedo, irão substituir o sagrado e antigo rito judaico para os discípulos de Cristo, o realizador da nova aliança. Mas o apóstolo admoesta sempre que somente uma vida animada e guiada pelo Espírito de Cristo, faz dos discípulos, autênticos “circuncidados no coração” e “batizados” no Senhor.

A este mundo humano e espiritual Jesus é introduzido gradualmente por Maria e José, aos quais fica submetido em filial obediência, enquanto cresce em vigor físico e sabedoria espiritual, e ao mesmo tempo vai abrindo seu próprio caminho para cumprir sua vocação e missão pessoal ao serviço do Pai.

Na Sagrada Família, como em toda família que acredita no Senhor, todos juntos e cada um de parte sua, Maria, José e Jesus, estão aprendendo dia após dia seu caminho, buscando descobrir e seguir a vontade de Deus. À materna preocupação manifestada por Maria ao encontrá-lo no templo de Jerusalém três dias depois ter se afastado da família, Jesus responde: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai? Eles, porém, não compreenderam a palavra que ele lhes dissera. Desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe, porem, conservava lembrança de todos estes fatos em seu coração” (Lc 2, 49-51). A maternidade de Maria é dom sublime de Deus. Mas é também uma aprendizagem progressiva na fé e no amor, que alcançará sua plenitude aos pés da cruz, quando o próprio Jesus entregará a ela como um filho, no discípulo amado, toda a humanidade, e esta, por sua vez, será entregue pelo Senhor à Maria, que nesse instante será uma Mãe para todos (cf Jo 19, 25 – 27).

O evangelista Lucas destaca com insistência a atitude interior de Maria - com certeza partilhada também por José - frente aos acontecimentos da vida. Ela continua, por assim dizer, o processo de gestação e interiorização da Palavra que tinha concebido em si mesma por obra do Espírito Santo na plena disponibilidade da fé e que agora não cessa de interpelá-la. Esta atitude de silêncio meditativo, de contemplação cheia de perguntas sem respostas imediatas e de entrega confiante ao mistério de Deus, acompanhará Maria ao longo da sua vida junto de Jesus, nos momentos alegres e nos momentos problemáticos e tristes (Lc 2, 51; Mt 12,48-50), até os pés da cruz.

Por esta atitude de escuta, silêncio e entrega confiante a Deus, a Virgem Maria se torna as primícias do reino de Deus e exemplo da Igreja inteira e de todo discípulo e discípula de Jesus. É o próprio Jesus a nos oferecer esta perspectiva cheia de fascínio para aqueles que acreditam nele: “Jesus respondeu àquele que o avisou: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E apontando para os discípulos com a mão, disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, porque aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12, 48-50).

Gostaria partilhar algumas reflexões de Santo Agostinho sobre estas palavras de Jesus, reflexões com que ele une de maneira admirável no mesmo caminho de fé a Virgem Maria, a Igreja e cada um de nós.

“Prestai atenção, rogo-vos – diz o grande doutor da Igreja – naquilo que Cristo Senhor diz, estendendo a mão para os discípulos... Acaso não fez a vontade do Pai a virgem Maria, que creu pela fé, pela fé concebeu?... Sim! Ela o fez! Santa Maria fez totalmente a vontade do Pai e por isso mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo. Assim Maria era feliz porque, já antes de dar à luz o mestre, trazia-o na mente....Santa Maria, feliz Maria! Contudo, a Igreja é maior que a Virgem Maria. Por quê ? Porque Maria é porção da Igreja, membro santo, membro excelente, membro super-eminente, mas membro do corpo total....Portanto, irmãos, dai atenção a vós mesmos. Também vós sois membros de Cristo. Vede de que modo o sois. Diz: Eis minha mãe e meus irmãos...Como sereis mãe de Cristo? “Todo aquele que ouve e faz a vontade do meu Pai que está nos céus, este é meu irmão e irmã e mãe ” (Sermão 25,7-8; LH IV, 1466-67).

Maria foi eleita e chamada por graça a dar sua própria carne ao Filho de Deus para ele realizar sua missão de Salvador para todos os homens e mulheres. Na sua resposta de fé e de entrega incondicionada a Deus, Maria primeiro realiza aquela atitude interior que, nas palavras do próprio Jesus, constitui a condição para fazer de todo discípulo e discípula, a exemplo de Maria, o seio fecundo onde a Palavra de Deus é acolhida e se torna principio vital da nova existência animada pela fé.

O mesmo Espírito que fecundou a virgindade de Maria fecunda a fé da Igreja e a faz mãe fecunda, capaz de gerar filhos e filhas com a pregação da Palavra, a experiência pascal dos sacramentos e a proximidade do amor.

Admirável Natal! Nós, os renascidos à vida do Pai como filhos e filhas adotivos no Filho, pelo dom do Espírito que nos anima (2ª leitura – Gl 4, 5-7), somos inseridos em tamanha intimidade com Jesus, que nos tornarmos seus irmãos, irmãs, e mesmo sua mãe! Capazes, por graça, de fazê-lo nascer a cada dia em nós para que nós possamos viver sempre mais nele e para ele, até partilhar com o apóstolo a admirável experiência da plena conformação com ele: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).

Estas afirmações, que vêm da Escritura, dos Padres da Igreja e da Liturgia, talvez soem um pouco surpreendentes aos nossos ouvidos. Talvez sejamos tentados a reduzi-las como lindas e sugestivas expressões poéticas, destinadas a acariciar nossa sensibilidade estética e nossa emotividade devota. Pelo contrário, nos deixam vislumbrar o coração do mistério do amor de Deus e do seu esvaziamento que nos introduzem de novo no caminho da vida e da verdade. Deixam-nos vislumbrar o mistério da fecundidade insondável da fé de Maria e da fecundidade da Palavra de Deus no coração de todo discípulo e discípula de Jesus, quando a recebem e a guardam com fé. Oferecem-nos as razões mais profundas e o caminho mais certo para alimentar e guiar nosso culto e nosso amor filial a Maria, nossa irmã e mãe na fé, na esperança e na caridade.

O povo cristão desde o início, com a intuição simples e profunda da sua fé, percebeu e honrou na virgem Maria, a Mãe de Deus e do Redentor, e a Mãe da Igreja. É como se exprime o Concílio Vaticano II: Maria foi e “é saudada também como membro super-eminente e de todo singular da Igreja, como seu tipo e modelo excelente na fé e caridade. E a Igreja católica, instruída pelo Espírito Santo, honra-a com afeto de piedade filial como Mãe amantíssima” (LG 53).

A constituição Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, no capítulo 8º, nos oferece uma maravilhosa síntese da fé e da piedade da Igreja do Oriente e do Ocidente sobre a “Bem-aventurada virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja”. Um tesouro ainda por descobrir, junto com outra mina preciosa, rica da linfa vital da tradição e de elementos novos, constituída pela liturgia renovada pelo Concílio e dedicada às celebrações de Santa Maria.

Dom Emanuele Bargellini.



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal 2010

Acolha o Natal com a simplicidade de uma criança...

 Uma paróquia do interior era conhecida pela sua fabulosa decoração de Natal, em particular, um belo presépio que era montado todos os anos. Vinham pessoas de longe para rezar diante das imagens da Sagrada Família, dos pastores, dos Reis Magos...
 A cerimônia da noite de Natal na paróquia era um deslumbramento. O povo no final da missa, em torno do presépio cantava e rezava com fervor. Dépois de toda a cerimônia religiosa, a igreja foi ficando vazia e foi fechada. Todos voltaram para as suas casas. No dia de Natal, pela manhã hove missa solene, cantada pelo coral da paróquia com músicas natalianas antigas e novas. Quando o povo se aproximou do presépio houve um alvoroço, muitas conversa... O padre voi ver o que estava acontecendo. Na mangedoura não estava a imagem  belíssima do Menino Jesus, desaparecera. Será que roubaram? A notícia correu por toda a cidade. Ninguém sabia onde estva a imagem de Jesus.
Na missa da noite a imagem apareceu. Estava dioferente, parece que quebrara-se e tinham coladas as partes. Que tinha acontrecido? Uma criança da catequese, ouvira a catequiesta falar com tanto amor e carinho sobre o Natal e parav comover as ciranças falara do frio que o Menino sentira naquela noite. Enfim, carregou tanto nas cores que tocou o sentimento de uma das crianças. Então, no final da missa da noite, quando não tinha mais ninguém na igreja, o menino da catequese pegou a imagem do Menino Jesus, a embrulhou e sem falar com ninguém levou para casa. E dormiu com o Menino Jesus protegendo-o com o seu cobertor. Só que rolou muito durante a  noite em sua cama e acabou quebrando os braços e as pernas da imagem... O padre nem brigou com a criança... Depois comprou uma imagem mais bonita do Menino Jesus e a pôs no lugar.

Necessitamos acolher o Natal com a simplicidade dessa criança. Pergunto a você: qual é o sentido do presépio em sua vida? É mais do que um simples conjunto decorativo natalino?

Texto extraído do livro da Novena de Natal de 2010,  da Diocese de Petrópolis/RJ.
Adaptado por Frater Henrique Maria, sjs.




sábado, 18 de dezembro de 2010

Comentário do 4º Domingo do Advento, Ano A

ANO A

4º DOMINGO DO ADVENTO
19 de Dezembro de 2010.

Tema do 4º Domingo do Advento:

A liturgia deste domingo diz-nos, fundamentalmente, que Jesus é o “Deus conosco”, que veio ao encontro dos homens para lhes oferecer uma proposta de salvação e de vida nova.
Na primeira leitura, o profeta Isaías anuncia que Jahwéh é o Deus que não abandona o seu Povo e que quer percorrer, de mãos dadas com ele, o caminho da história… É n’Ele (e não nas sempre falíveis seguranças humanas) que devemos colocar a nossa esperança.
O Evangelho apresenta Jesus como a encarnação viva desse “Deus conosco”, que vem ao encontro dos homens para lhes apresentar uma proposta de salvação. Contém, naturalmente, um convite implícito a acolher de braços abertos a proposta que Ele traz e a deixar-se transformar por ela.
Na segunda leitura, sugere-se que, do encontro com Jesus, deve resultar o testemunho: tendo recebido a Boa Nova da salvação, os seguidores de Jesus devem levá-la a todos os homens e fazer com que ela se torne uma realidade libertadora em todos os tempos e lugares.

I LEITURA – Is. 7,10-14

SALMO RESPONSORIAL – Salmo 23 (24)
II LEITURA– Rm. 1,1-7


EVANGELHO – Mt. 1,18-24.
†Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus.


O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo:
Maria, sua Mãe, noiva de José,
antes de terem vivido em comum,
encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo.
Mas José, seu esposo,
que era justo e não queria difamá-la,
resolveu repudiá-la em segredo.
Tinha ele assim pensado,
quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor,
que lhe disse:
«José, filho de David,
não temas receber Maria, tua esposa,
pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo.
Ela dará à luz um Filho
e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus,
porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o senhor anunciara
por meio do Profeta, que diz:
«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho,
que será chamado ‘Emanuel’,
que quer dizer ‘Deus conosco’».
Quando despertou do sono,
José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara
e recebeu sua esposa.

MENSAGEM:

Segundo a narração de Mateus, José apercebeu-se que Maria estava grávida, durante a fase dos esponsais (eram prometidos). Como sabia não ser o pai do bebê que estava para chegar, resolveu abandonar Maria, em segredo; mas um anjo do Senhor apareceu-lhe em sonhos e esclareceu o mistério: “Aquele que vai nascer é fruto do Espírito Santo”. O que é que temos aqui? Reportagem de acontecimentos históricos?

O anúncio do anjo a José (vv. 20-24) segue o esquema dos relatos do Antigo Testamento, em que se anuncia o nascimento de uma personagem importante (cf. Jz 13): a) o anúncio está rodeado de sinais divinos (o “anjo do Senhor”, o sonho); b) que provocam medo e espanto; c) o mensageiro divino anuncia qual será o nome e a missão da criança que vai nascer; d) dá-se um sinal que confirma o anúncio (o cumprimento das Escrituras). A função destes anúncios é vincular a personagem, desde o seu nascimento, com o projeto divino. Este mesmo esquema estereotipado é, aliás, usado por Lucas para descrever o nascimento de João Baptista (cf. Lc 1,5-25).

Neste episódio temos, portanto, não uma descrição de fatos históricos, mas uma catequese sobre Jesus (que é apresentada recorrendo a esquemas literários, conhecidos dos escritores bíblicos). Então, o que é que esta catequese procura ensinar?

Fundamentalmente, procura-se mostrar que Jesus vem de Deus, que a sua origem é divina (Maria encontra-se grávida por virtude do Espírito Santo” – v. 18). Procura-se, ainda, ensinar qual será a missão de Jesus: o nome que Lhe é atribuído mostra que Ele vem de Deus com uma proposta de salvação para os homens (“Jesus” significa “Jahwéh salva”). Também se diz, de forma clara, que Ele é o Messias de Deus, da descendência de David, que os profetas anunciaram (a referência ao seu nascimento de uma “virgem” não deve ser vista como a afirmação do dogma da virgindade de Maria, mas como a afirmação de que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas – nomeadamente pelo texto de Is 7,14 – enviado por Deus para restaurar o reino de David).

De qualquer forma, a figura de José desempenha aqui um papel muito interessante… O anjo dirige-se a ele como “filho de David” (v. 20) e pede-lhe que receba Maria e que ponha um nome à criança (v. 21). A imposição do nome é o rito através do qual um pai recebe uma criança como filha. Assim, Jesus passa a fazer parte da família de David e a ser, naturalmente, a esperança para a restauração desse reino ideal de paz e de felicidade pelo qual todo o Povo ansiava. Pela obediência de José, realizam-se os planos e as promessas de Deus ao seu Povo.

Refletir:

• Esse Jesus que esperamos é – de acordo com a catequese que a primitiva comunidade cristã nos apresenta por intermédio de Mateus – o “Deus que vem ao encontro dos homens”, para lhes oferecer a salvação. A festa do Natal que se aproxima deve ser o encontro de cada um de nós com este Deus; e esse encontro só será possível se tivermos o coração disponível para O acolher e para abraçar a proposta que Ele nos veio fazer. É isto que acontece?

• Com frequência, o Natal é a festa pagã do consumismo, das prendas obrigatórias, da refeição melhorada, das tradições familiares que têm de ser respeitadas mesmo quando não significam nada… O meu Natal – este Natal que estou a preparar no meu coração – é uma celebração pagã ou um verdadeiro encontro com esse Deus libertador, cuja proposta de salvação estou interessado em escutar e acolher?

Fonte: Texto e reflexões: Conf. Epis. Portuguesa - Ag. Eccleisa.
Grifo nosso.






quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz lembra violência no Iraque e pede fim do preconceito no Ocidente.

"Papa Bento XVI diz que os cristãos são as principais vítimas de perseguição religiosa".

Foi divulgada pela Agência de Noticias Eccleisa de Portugal esta notícia abaixo, penso ser de grande importância divulgá-la aqui.

Bento XVI afirmou que os cristãos são as principais vítimas de perseguição religiosa no mundo, destacando, em particular, a situação de violência contra as comunidades católicas no Iraque.
“Os cristãos são, atualmente, o grupo religioso que padece o maior número de perseguições devido à própria fé. Muitos suportam diariamente ofensas e vivem freqüentemente em sobressalto por causa da sua procura da verdade”, refere o Papa, na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2011.
No texto, hoje (08/12/2010) divulgado pela Santa Sé, o Papa diz ser “doloroso constatar que, em algumas regiões do mundo, não é possível professar e exprimir livremente a própria religião sem pôr em risco a vida e a liberdade pessoal”, o que considera "uma ameaça à segurança e à paz".
«Liberdade Religiosa, caminho para a paz» é o tema da 44ª Jornada Mundial da Paz, celebrada na Igreja Católica, desde 1968, a 1º de Janeiro.
Bento XVI considera que o ano em curso ficou “marcado pela perseguição, pela discriminação, por terríveis atos de violência e de intolerância religiosa”.
“Penso, em particular, na amada terra do Iraque, que, no seu caminho para a desejada estabilidade e reconciliação, continua a ser cenário de violências e atentados”, escreve.
O Papa condena o “o vil ataque contra a catedral siro-católica de «Nossa Senhora do Perpétuo Socorro» em Bagdad, onde, no último dia 31 de Outubro, foram assassinados dois sacerdotes e mais de cinquenta fiéis, quando se encontravam reunidos para a celebração da Missa.
“A este ataque seguiram-se outros, nos dias sucessivos, inclusive contra casas privadas, gerando medo na comunidade cristã e o desejo, por parte de muitos dos seus membros, de emigrar à procura de melhores condições de vida”, alerta Bento XVI.
São também lembradas as comunidades cristãs que sofrem "perseguições, discriminações, atos de violência e intolerância, particularmente na Ásia, na África, no Médio Oriente e de modo especial na Terra Santa", com um apelo do Papa pelo fim de "toda a violência contra os cristãos" que habitam nestas regiões.
A mensagem papal alerta ainda que “noutras regiões, há formas mais silenciosas e sofisticadas de preconceito e oposição contra os crentes e os símbolos religiosos”.
O Papa aponta o dedo ao Ocidente, condenando “a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos pelo fato de estes pretenderem orientar a própria vida de modo coerente com os valores e os princípios expressos no Evangelho”.
Bento XVI deixa votos de que a Europa saiba “reconciliar-se” com as suas próprias raízes cristãs, “fundamentais para compreender o papel que teve, tem e pretende ter na história”.
O documento fala na "contribuição ética" da religião no âmbito político e diz que a mesma "não deveria ser marginalizada ou proibida, mas vista como válida ajuda para a promoção do bem comum".
A este respeito, o Papa defende que "a liberdade religiosa deve ser entendida não só como imunidade da coação, mas também, e antes ainda, como capacidade de organizar as próprias opções segundo a verdade".
Por isso, refere à mensagem, a pessoa "não deveria encontrar obstáculos se quisesse eventualmente aderir a outra religião ou não professar religião alguma".

"Exorto os homens e mulheres de boa vontade a renovarem o seu compromisso pela construção de um mundo onde todos sejam livres para professar a sua própria religião ou a sua fé e viver o seu amor a Deus com todo o coração, toda a alma e toda a mente", aponta Bento XVI.
Desde 2006, os temas escolhidos pelo atual Papa para a celebração de 1 de Janeiro foram a verdade, a dignidade da pessoa, a unidade da família humana, o combate contra a pobreza, o meio ambiente e, agora, a liberdade religiosa.


 A mensagem para 2011, com 15 pontos, pode ser consultada no Site oficial do Vaticano.







terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ardor pela santidade...

Refletindo sobre a SANTIDADE percebo que este ideal de vida que, segundo a Constituição Lumen Gentium (Luz dos Povos) é aberto a todos os estados de vida é algo realmente atingível. Contudo contamos com muitos empecilhos em nossa caminhada para a perfeita comunhão com Deus. O primeiro deles somos nós mesmos. Como afirma certa canção da Suely Façanha: Lidar consigo mesmo é trabalho de artesão, ou seja, é uma arte que cada um deve aprender, segundo o método que o próprio Deus inspirar ao seu coração. Então, também implica a escuta de Deus, perceber suas moções interiores que estão a todo tempo à nossa disposição. O que implica em outro aprendizado...
A vida está cheia desses aprendizados, aliás, viver já é uma aprendizagem, estamos imersos neste grande curso de santidade que é a vida. Para sermos santos de fato (para alcançarmos a Morada Celeste), é preciso aprender com outros que conhecem o Caminho. Este Caminho com letra maiúscula é uma pessoa: o próprio Deus (cf. Jo. 14,6). Certamente se observar a sua volta, verá que pode existir alguém que executando as mesmas tarefas diárias que você no seu trabalho, ou estudo, ou até mesmo desenvolvendo algum trabalho pastoral de sua comunidade, verá que há pessoas que são muito mais realizadas no que faz do que você, que faz as mesmas coisas. Experiência esta que vivencio em minha Comunidade Religiosa. A cada ano que passa, temos a oportunidade de conhecer pela convivência irmãos mais novos que pedem ingresso em nosso Instituto Religioso. Esses rapazes que ingressam a cada ano têm em comum algo que todos nós, membros antigos (de votos perpétuos) ou novatos que se preparam para se consagrar, são não devemos perder jamais: o ardor pela santidade. Tal ardor implica mais do que um apoio afetivo, uma simpatia pela idéia. Mas uma adesão efetiva: desejar amar cada vez mais a Deus, buscar fazer a Sua vontade e até mesmo doar-se por ele, se preciso for. Ser santo não consiste em fazer muito, mas em amar muito!

Dedico esta postagem aos meus amigos noviços Rodrigo Simas e Éverson de Barros, que mostram por palavras e exemplos que não podemos nos esquecer de que o Senhor nos quer santos.


sábado, 11 de dezembro de 2010

Comentário do 3º Domingo do Advento, Ano A

I LEITURA Is 35, 1-6a.10

SALMO RESPONSORIAL 145, 7-10
II LEITURA Tg 5, 7-10

EVANGELHO Mt 11, 2-11
† Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus.
Naquele tempo,
João Baptista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo
e mandou-Lhe dizer pelos discípulos:
«És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?»
Jesus respondeu-lhes:
«Ide contar a João o que vedes e ouvis:
os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são curados,
os surdos ouvem, os mortos ressuscitam
e a boa nova é anunciada aos pobres.
E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim
motivo de escândalo».
Quando os mensageiros partiram,
Jesus começou a falar de João às multidões:
«Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento?
Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas?
Mas aqueles que usam roupas delicadas
encontram-se nos palácios dos reis.
Que fostes ver então? Um profeta?
Sim __ Eu vo-lo digo __ e mais que profeta.
É dele que está escrito:
‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro,
para te preparar o caminho’.
Em verdade vos digo:
Entre os filhos de mulher,
não apareceu ninguém maior do que João Baptista.
Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».
Palavra da salvação.

«És tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?».


Chegamos ao Domingo da Alegria. A Liturgia deste domingo vem nos recordar a proximidade da ação libertadora de Deus e ascende a esperança no coração daqueles que esperam o Senhor.
Este Evangelho que hoje meditamos é certamente um texto composto por uma cristologia, isto é, é formado para mostrar e comprovar que Jesus Cristo é o Cristo, o Enviado de Deus Pai. Através desta pergunta feita por João Batista acerca de Jesus que nos é transmitida por Mateus, percebemos quem é de fato Jesus. Sendo esta pergunta respondida pelo próprio Jesus se utilizando da profecia messiânica proferida por Isaías, séculos antes. Ele irá dar vista aos cegos, fazer com que os coxos recuperem o movimento, curar os leprosos, fazer com que os surdos ouçam, ressuscitar os mortos, anunciar aos pobres que o “Reino” da justiça e da paz chegou (cf. Is. 61,1-5). É este quadro de vida nova e de esperança que Jesus nos vai oferecer. O mesmo que é comprovado pelos discípulos que João havia enviado a Jesus.
A segunda parte deste Evangelho é formada por uma advertência feita àqueles que seguiam João Batista e também um elogio a João, feito pelo próprio Jesus. Como já dito neste blog, ritos purificatórios eram comuns em muitas religiões antigas, inclusive no judaísmo. Percebemos que o Batismo de João tinha um diferencial que não era compreendido por todos. E muitos dos fariseus (hipócritas) iam até João pedir o Batismo que era símbolo de conversão. Se de fato buscamos a conversão, esta deve vir acompanhada não de sinais exteriores somente. Quanto a isso, Jesus nos adverte com certa “ironia”: então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas?... João não é um pregador oportunista cuja mensagem segue as modas, nem um elegante convencido que vive no luxo. Mas João é um profeta e mais do que um profeta.
Nossa conversão deve ser de maneira profunda, mas não esquecendo a alegria de nos voltarmos para Deus e de receber de suas mãos a salvação que nos é proposta por meio de nosso Salvador Jesus Cristo.

***

A PAZ, A ALEGRIA.
Este terceiro domingo do Advento é o domingo da alegria. O movimento internacional “Pax Christi” convida-nos a rezar pela paz em particular neste dia. A paz e a alegria: duas grandes riquezas que queremos para o nosso mundo. Na preparação da liturgia, seria interessante procurar formas de dar um real conteúdo à nossa esperança, ver como estas palavras “paz” e “alegria” podem ressoar no coração de cada um: procurar propor gestos concretos que vão neste sentido para os habitantes do bairro ou da cidade; procurar que a nossa oração deste dia seja mais verdadeira e consequente na vida concreta. E como convidar os cristãos a serem testemunhas da paz e da alegria de Cristo? A festa de Natal, este ano, mudará alguma coisa à nossa volta? É importante preparar a liturgia neste sentido para que a celebração continue nas situações de vida durante a semana…

Artigo: Frater Henrique Maria, sjs.
Texto do Evangelho e mensagem final:
Conf. Ep.Portuguesa: ecclesia.pt


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

07 de Dezembro: Santo Ambrósio (Bispo e Doutor da Igreja)

Em Cristo temos tudo, Cristo é tudo para nós!

"Em Cristo temos tudo.

Cada um se aproxime dele,

Quem está doente devido aos pecados,

Quem está como que pregado à sua concupiscência,

Quem é ainda imperfeito,

Mas desejoso em progredir com intensa oração,

Quem já é crescido em muitas virtudes.

Cada um de nós está nas mãos do Senhor e Cristo é tudo para nós.

Se desejas curar as tuas feridas, ele é médico;

Se estás sedento por causa da febre, ele é fonte;

Se te encontras oprimido pelo pecado, ele é justiça;

Se precisas de ajuda, ele é força;

Se tens medo da morte, ele é vida;

Se foges das trevas, ele é luz;

Se buscas comida, ele é alimento.

‘Provai’ portanto, ‘e vede como é doce o Senhor. Feliz o homem que espera nele’ (Sl. 33,9)".

Santo Ambrósio (340-397).

Traduzido da Revista italiana "Trenta Giorni", Anno XXVIII, n.8/9 - 2010.
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