quarta-feira, 6 de julho de 2011

O que é PUREZA CRISTÃ?


Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8).

Cena do filme Sta. Maria Goretti.
No dia 06 de julho, a Igreja nos convida a refletir sobre a figura de uma frágil, e ao mesmo tempo forte menina, que é um exemplo de pureza cristã em nossos dias: Maria Goretti. Era uma mocinha pobre que não tinha uma beleza extraordinária, mas em seus olhos era perceptível o ideal de pureza cristã que abraçara. 
Evidentemente a sociedade contemporânea é muito distinta da que viveu nossa jovem santa. Hoje em dia houve uma grande mudança na concepção dos valores que regem a sociedade. E, infelizmente, no que tange à questão da pureza, não é diferente.
O valor da pureza está hoje em dia desvalorizado e, sobretudo, no que diz respeito à castidade.  Uma mulher afirmar que é virgem é algo antiquado, fora de moda; e para um rapaz dizer isso é até humilhante entre seus iguais. Ao mesmo tempo em que, ainda hoje, encontramos uma base daquilo que outrora fora a concepção comum a todos, como por exemplo, ao falarmos do melhor azeite de oliva, nos remetemos ao melhor, ao “extra-virgem”; a melhor lã é a “virgem”(dentre outros exemplos). Com isso, exaltamos, mesmo que inconscientemente, aquilo que é “mais puro” como um valor.[1]
É comum nos dias de hoje encontrarmos jovens preocupados com sua saúde, com o cuidado físico, o que é muito importante. Nosso maior patrimônio é o nosso corpo, que é dom e templo do Espírito de Deus (cf. I Cor. 3,16). É preciso ressaltar, porém, que no meio de tanta boa intenção e zelo pelo corpo, existem muitos jovens que visam apenas fins estéticos e superficiais, fazendo do corpo (que é um meio) um fim em si mesmo. Esse tipo de atitude pode levá-los a cair numa vaidade exacerbada, num narcisismo doentio e naquilo que chamamos de hedonismo, ou seja, tomar o prazer como bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral. De fato, existem muitos que se deixam levar pelos “modismos” que todos os dias são lançados através da mídia.
LÍRIO: símbolo da pureza

Quando nos referimos à sexualidade a situação fica ainda mais complexa. Para se tornar atraente, vale quase tudo: desde intermináveis sessões de musculação, a um número sem fim de horas dedicadas a salões de beleza e clínicas de estética. Percebemos também que as relações se tornam cada vez mais efêmeras e superficiais. O hedonismo faz com que usemos o (a) outro (a) como objeto de prazer, confundindo amor com concupiscência.

Essa mentalidade hedonista acabou despertando uma reação que vem na contramão do comportamento social que ela produz. Surgiram, por exemplo, nos EUA, os ditos "Movimentos de Pureza". O primeiro deles surgiu faz pouco mais de uma década. Atualmente existem dois movimentos internacionais reconhecidos: “Silver Ring Thing” e “One Love One Wathing”. Os dois grupos ganharam notoriedade pela identificação do uso de um anel de prata, popularmente conhecido como anel de pureza, usado por aqueles que assumem o compromisso de se guardarem para o casamento. No Brasil, existem alguns movimentos (ligados a algumas igrejas protestantes-evangélicas) que se mobilizaram com vários nomes: Anel de Pureza, Anel de Castidade, Aliança de Compromisso, Anel de Prata, Aliança de Pureza, entre outros.
Infelizmente os jovens que aderem a esses movimentos caem num extremismo, chegando ao cúmulo de afirmar que nem sequer beijam a pessoa amada, para manterem a sua pureza preservada.  Eu lhes pergunto: mas que pureza é essa que me priva de me relacionar com meus semelhantes? Tal ideia desemboca no que podemos chamar de "desumanização" ou "angelismo". Em outras palavras, essas pessoas podem manter-se castas ou virgens, mas não são puras no pleno sentido da palavra, uma vez anulam a sua sexualidade, dimensão fundamental que nos torna humanos!
Encontramos no Evangelho de São Mateus a passagem das Bem-Aventuranças, onde o evangelista nos  esclarece quanto ao tema da pureza: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8). Na Escritura, o coração representa a sede das decisões humanas. Como o próprio Jesus nos diz: “é do coração que provêm os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias” (Mt. 15,19). O Catecismo afirma que a expressão “puros de coração” designa os que entregam o coração às exigências da santidade de Deus, especialmente nos três seguintes campos: na caridade, na castidade (ou retidão sexual) e no amor à verdade (cf. CATECISMO § 2518).
Portanto, para nós católicos, a pureza cristã não diz respeito simplesmente às questões de íntimidade, ou seja, não se restringe somente ao âmbito da sexualidade: é algo mais profundo, que começa no coração do ser humano. Pureza não é abstinência e observância, mas plenitude e unicidade de amor. [2] É saber amar o Senhor com um coração indiviso e, por isso, saber dizer não a todo tipo de prazer que nos afaste dele.
O cristão tem seu ponto de equilíbrio no Cristo. Ele é o seu referencial e não os paradigmas que o mundo oferece. Como afirma o Papa Bento:[3] “a pureza do coração acontece no seguir os passos de Cristo, no ser um com ele” (cf. Gl. 2,20). O que nada mais é do que buscar ser um autêntico cristão: “outro cristo” que busca ser luz onde existem trevas (cf. Mt. 5,14).




[1] Raniero CANTALAMESSA. Virgindade, p. 10.
[2] Amedeo CENCINI. Virgindade e celibato hoje- Ed. portuguesa, p.83.
[3] PAPA BENTO XVI. Jesus de Nazaré (o sermão da montanha) p. 95.


























Vejam o vídeo:





Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...