quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Missionário italiano é assassinado nas Filipinas


A vida do Pe. Fausto Tentorio, missionário de origem italiana assassinado nesta segunda-feira (17/10/2011) nas Filipinas, foi um “dom total”, afirmou o Pe. Bernardo Cervellera, missionário do Instituto Pontifício de Missões Exteriores (PIME) e diretor de AsiaNews.
O Pe. Fausto, pároco de Akaran (província de Cotabato, na ilha de Mindanau), foi assassinado pouco depois de ter celebrado a Missa e antes de ir a Kidapawan para encontrar-se com os demais sacerdotes da diocese.
O assassino, com o rosto coberto por um capacete, aproximou-se dele e golpeou-lhe a cabeça e as costas, afastando-se depois em uma motocicleta, com um cúmplice. O sacerdote foi transladado ao hospital, mas os médicos não puderam fazer nada além de constatar o falecimento. Cervellera destacou da vida do Pe. Fausto as “longas visitas pastorais de moto, de carro ou a cavalo, para encontrar-se com os grupos tribais mais perdidos; dormir sobre uma esteira no chão; comer as pobres coisas dos indígenas para construir uma igreja na qual ser estrangeiro ou local não cria marginalização ou diferenças injustas; comprometer-se na educação de crianças e adultos”.
“O Pe. Tentorio era um homem de poucas palavras e de quem nos restam poucos escritos – afirmou. Mas permanece forte o carinho que os indígenas tinham por ele, vivo e morto.” O sacerdote assassinado tinha 50 anos e se encontrava nas Filipinas há mais de 32. 
“Carinhosamente, nós colocamos nele o apelido de 'o tribal', por como se identificava com oslumad, os indígenas dos quais durante 30 anos foi o defensor contra todo tipo de discriminações”, referiu a MISNA o seu irmão, Pe.Giulio Mariani, diretor do Centro Missionário Euntes, em Zamboanga.
“Ele se vestia como eles, falava a sua língua, conhecia a sua cultura – acrescentou. Os missionários do PIME perderam um amigo; os lumad perderam um pai, um irmão. Sabiam que ele teria feito qualquer coisa por eles.”
Em 2003, o Pe. Fausto escapou de um atentado. De certa forma, seu assassino “pegou todos de surpresa”, explicou à agência vaticana Fides o Pe. Giovanni Vettorello, também do PIME.
“Não vivemos uma fase de especial tensão, como no passado. Certamente, o trabalho missionário comporta sempre riscos, mas o Pe. Tentorio não tinha inimigos, nem me disse jamais que havia recebido ameaças, nem houve nenhum episódio detonante para motivar o delito. Também era uma pessoa muito astuta e prudente”, disse Vettorello.
O sacerdote continuou explicando que o Pe. Tentorio “dedicou toda a sua vida ao serviço da alfabetização e do desenvolvimento dos indígenas chamados lumads, em particular da tribo dosmanobo”.
Nesta obra, às vezes “podem surgir problemas relativos à prioridade de terras, aos conflitos entre agricultores, às disputas entre tribos diversas, mas ninguém esperava um acontecimento trágico assim”.
“Tenho certeza de que o sangue do Pe. Fausto é o sangue de um mártir, que dará bons frutos para a missão nas Filipinas”, destacou o Pe. Giovani.
Por outro lado, o bispo, Dom Romulo de la Cruz, mostrou-se “comovido e sem palavras” pela tragédia.
O corpo do Pe. Fausto foi levado à sua paróquia, onde os fiéis o velaram, rezando sem cessar.
O Pe. Tentorio é o terceiro missionário italiano do PIME assassinado na ilha de Mindanau. Em 1985, o Pe. Tullio Favali foi assassinado em Tulunan por um grupo de guardas privados armados, enquanto, em 1992, foi assassinado em Zamboanga City o Pe. Salvatore Carzedda, comprometido no diálogo com os muçulmanos.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A VIDA virando comércio...

A Revista Super Interessante deste mês de outubro nos trás um notícia que está mais para SUPER HORRIPILANTE! O artigo, intitulado "Bebê Globalizado", afirma:
Seu  celular  é  made   in  CHINA  , sua  camiseta   pode   ter  sido  produzida   no   VIETNÃ , e  o  vinho  que   você   bebe   é  chileno  ou  argentino . SE  TUDO   É  GLOBALIZADO  ,  PORQUE  SEU  FILHO   TAMBÉM  NÃO  PODE  SER ?  A    nova  moda  entre  casais   que   precisam  ter  filhos  e  não  podem   ou   casais  homossexuais  é  globalizar o   nascimento  do  bebê. Um  casal   americano   recorre   a  INDIA ,  PANAMÁ ,  PAQUISTÃO  E  GRÉCIA  PARA  COMPRAR   ÓVULOS   OU  ESPERMA  E  ALUGAR  UMA   BARRIGA   PARA   O   PARTO .  Nos   EUA  TEM   UM   SITE  ,   que  se  encarrega  de  tudo ,  o  cliente   podendo    escolher  de  qual  país  virá o  esperma , onde   nascerá o  bebê  ,  em  qual  país  será   alugada    a  barriga , sexo  possível  ,cor  dos  olhos  e  cabelos  do  bebê  e  até   se  pagarem   mais   a  leitura   do   genoma   contido  no  esperma. MUITOS  DEFENSORES  DE  DIREITOS  HUMANOS   DIZEM   QUE  ESSA  É  A  NOVA  FORMA   DE  EXPLORAR  A  POBREZA ,  ALUGAR  BARRIGAS . 
 Isso nos põe entre num grave dilema ético-moral, pois o homem brinca com a vida; não estamos falando de crias de cães de raça, ou algum tipo de gado, mas se trata de comercializar aquilo que há de mais valor, a vida humana. 
A Igreja já se manifestou muitas vezes para falar do assunto, entre elas, quando lanço a "Donum Vitae" (1987) e em sua atualização, a "Humanae Viatae" (2008). Onde vamos parar com tudo isso? 


sábado, 1 de outubro de 2011

Contenplatio (parte 2)

Ainda um pouco mais de Contemplação...
Não coloquemos a contemplação como sendo algo de mágico, onde vozes, visões, levitações, bilocações, luzes aconteceriam a torto e a direito. Isto é uma concepção errônea da comunhão íntima com Deus, dando-nos a entender que se não acontecerem estamos distante da verdade sobre a contemplação. Onde o fascínio é parte integrante , mesmo na dor, desse processo. Saibamos que não devemos buscar  “ na contemplação uma fuga ao conflito, à angústia, à dúvida. Pelo contrário, a certeza profunda, inexprimível da experiência contemplativa, desperta uma trágica angústia e suscita muitas interrogações nas profundezas do coração, semelhantes as feridas que não cessam de sangrar.” Aqui podemos entender que a contemplação não se trata de algum ópio diante da vida trágica de alguém. Na contemplação a novidade do SER de Deus se torna evidente e por isso dolorosa, até que a relação EU – TU se converge para EU SOU onde nós dizemos com Ele, EU também SOU, mas em TI. Querendo dizer que a união vai além do tempo e do espaço, desta forma chegamos ao centro da vida contemplativa: “Não sou eu quem vivo é Cristo que vive em mim”( Gálatas 2,20 ).
Verdadeiramente a contemplação que resulta da oração não é algo que simplesmente nos faça sentirmo-nos bem em nosso corpo, em nossos sentidos, ou seja, não é para termos uma vantagem qualquer, mas sim para termos comunhão profunda e assim sermos livres. O silêncio, tanto nosso silêncio, como o silêncio diante da saciedade de nossos sentidos faz-nos ultrapassar a matéria, é realmente um silêncio de Deus. Que longe de demonstrar-se como castigo é terapêutico e formador. A contemplação se dá além  de tudo que compreendemos num grande silêncio. Ao abismo de nossa alma  somente o abismo do amor de Deus. Mergulhados nas profundezas de Deus, na solidão árdua do rompimento de nossa tendência ao barulho, nos tornamos felizes pela simplicidade de sermos tomados, rendidos e curados.(...).


Tomas MERTON. Novas sementes de Comtemplação. p. 28, (Ed. Fissus, Rio de Janeiro), 2001.
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