sábado, 1 de outubro de 2011

Contenplatio (parte 2)

Ainda um pouco mais de Contemplação...
Não coloquemos a contemplação como sendo algo de mágico, onde vozes, visões, levitações, bilocações, luzes aconteceriam a torto e a direito. Isto é uma concepção errônea da comunhão íntima com Deus, dando-nos a entender que se não acontecerem estamos distante da verdade sobre a contemplação. Onde o fascínio é parte integrante , mesmo na dor, desse processo. Saibamos que não devemos buscar  “ na contemplação uma fuga ao conflito, à angústia, à dúvida. Pelo contrário, a certeza profunda, inexprimível da experiência contemplativa, desperta uma trágica angústia e suscita muitas interrogações nas profundezas do coração, semelhantes as feridas que não cessam de sangrar.” Aqui podemos entender que a contemplação não se trata de algum ópio diante da vida trágica de alguém. Na contemplação a novidade do SER de Deus se torna evidente e por isso dolorosa, até que a relação EU – TU se converge para EU SOU onde nós dizemos com Ele, EU também SOU, mas em TI. Querendo dizer que a união vai além do tempo e do espaço, desta forma chegamos ao centro da vida contemplativa: “Não sou eu quem vivo é Cristo que vive em mim”( Gálatas 2,20 ).
Verdadeiramente a contemplação que resulta da oração não é algo que simplesmente nos faça sentirmo-nos bem em nosso corpo, em nossos sentidos, ou seja, não é para termos uma vantagem qualquer, mas sim para termos comunhão profunda e assim sermos livres. O silêncio, tanto nosso silêncio, como o silêncio diante da saciedade de nossos sentidos faz-nos ultrapassar a matéria, é realmente um silêncio de Deus. Que longe de demonstrar-se como castigo é terapêutico e formador. A contemplação se dá além  de tudo que compreendemos num grande silêncio. Ao abismo de nossa alma  somente o abismo do amor de Deus. Mergulhados nas profundezas de Deus, na solidão árdua do rompimento de nossa tendência ao barulho, nos tornamos felizes pela simplicidade de sermos tomados, rendidos e curados.(...).


Tomas MERTON. Novas sementes de Comtemplação. p. 28, (Ed. Fissus, Rio de Janeiro), 2001.

Um comentário:

Eucaristia disse...

Interessante a materia e de linguagem acessivel, e o melhor é aqui desmistificado alguns tabus onde muitas vezes fazem com que as pessoas desistam de uma intimidade com Deus por não obterem efeitos magicos!!!Gostei

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