quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Primeiro bebê brasileiro selecionado geneticamente para curar a irmã.


"Maria Clara não carrega os genes recessivos da talassemia major da irmã mais velha e o material genético é 100% compatível, o que vai facilitar a realização de transplante de sangue de cordão umbilical que pode salvar Maria Vitória, de 5 anos".

 Esta é uma das manchetes do Estadão desta quarta-feira. Vendo a foto desse belo bebê, nos esquecemos até das implicações ético-morais que isso nos remete. Cada vez mais, o ser humano tem tem brincado de "ser deus".  Pensemos na expressão: "selecionada geneticamente" que o artigo nos trás: Na primeira tentativa, os seis embriões gerados no processo de fertilização foram descartados ou porque tinham a doença ou porque eram incompatíveis com Maria Vitória. Não seriam esses embriões já vidas humanas sacrificadas para tentar salvar uma outra? O artigo ainda continua: Na segunda tentativa, o casal conseguiu produzir dez embriões, dos quais apenas um não tinha a doença e era 100% compatível... Concluímos 90% do nosso objetivo. Os 10% que faltam são o transplante, que vamos deixar nas mãos de Deus. Se não tivéssemos persistência, fé e coragem, não estaríamos aqui, diz a mãe. Isso é uma grande ironia, afirmar que, no fim de todo o processo, onde mais de 15 embriões foram sacrificados a tal mãe vem afirmar que estava deixando tudo nas mãos de Deus. Teria deixado se eles aceitassem a doença da filha e se tivessem abertos a bênção da natalidade que o Senhor lhes confere: "Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra" (Gn. 1,28a). No fim, percebemos a afirmação equivocada dos cientistas da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana: é mais um avanço da ciência na área da medicina reprodutiva que só veio para o bem. Será mesmo que esse dito "avanço" veio para o bem???

Bebê Maria Clara e sua irmã (doente) Maria Vitória.

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