sábado, 24 de março de 2012

Poema: O ajudante de Deus (Adélia Prado).

Invoquei o Santo Espírito,

Ele me disse: sofre,

come na paciência 

esta amargura,

porque tens boca 

e eu não.

Toma o pequeno cálice,

massa de cinza e fel

não transmutados.

è pão de mirra,

come.

Adélia Prado.


Vamos refletir...

Estranho nos parece este poema à primeira vista. É possível que aconteça de invocarmos o Espírito (que é o Consolador) e Ele nos dizer para sofrermos? è perfeitamente compreensível se conseguirmos ver no sofrimento uma oportunidade de crescimento, de transformação e uma oportunidade de fazer crescer as virtudes da pasciência e da esperança. Estas, muito necessárias a vida cristã. Todos temos um pequeno cálice de sofrimento para beber durante a vida. Basta decidir se o beberemos com o auxílio divino, do Espírito e na paciência, própria de que tem fé em seu amparo.


domingo, 11 de março de 2012

3º Domingo Quaresma, Ano B


Evangelho - Jo 2,13-25

13Estava próxima a Páscoa dos judeus

e Jesus subiu a Jerusalém.
14No Templo,
encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas
e os cambistas que estavam aí sentados.
15Fez então um chicote de cordas
e expulsou todos do Templo,
junto com as ovelhas e os bois;
espalhou as moedas
e derrubou as mesas dos cambistas.
16E disse aos que vendiam pombas:
'Tirai isto daqui!
Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!'
17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde,
que a Escritura diz:
'O zelo por tua casa me consumirá'.
18Então os judeus perguntaram a Jesus:
'Que sinal nos mostras para agir assim?'
19Ele respondeu:
'Destruí, este Templo,
e em três dias o levantarei.'
20Os judeus disseram:
'Quarenta e seis anos foram precisos para a construção 
deste santuário e tu o levantarás em três dias?'
21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo.
22Quando Jesus ressuscitou,
os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito
e acreditaram na Escritura e na palavra dele.
23Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa.
Vendo os sinais que realizava,
muitos creram no seu nome.
24Mas Jesus não lhes dava crédito,
pois ele conhecia a todos;
25e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser
humano, porque ele conhecia o homem por dentro.
Palavra Salvação.

___________________


Reflexão...


No Evangelho de hoje, o Senhor vem nos lembrar a termos noção daquilo que é sagrado em nós. Evidentemente não se refere somente ao antigo Templo de Jerusalém somente, mas também à nossa vida. O Templo, para um judeu do primeiro século, representava muito mais do que nossas igrejas nos representam hoje em dia. O Templo era símbolo da presença de Deus entre o povo que Ele escolheu; da sua ação neste mundo; era ponto de unidade entre as várias tribos que compunham a nação... Por tudo isso e mais, só poderia haver um único Templo, para um único povo de Deus. Por isso, o povo judeu fazia do Templo um sinal de orgulho, e pensavam que a prática legais que se prestavam no Templo a Deus eram causa de sua salvação, sem envolvimento pessoal de cada pessoa. Essa prática exterior da lei não mais atingia o interior do coração do homem - era desvinculado da vida, algo meramente burocrático. Já os profetas antes de Jesus condenavam essa prática, como lemos em Isaías e em particular, Ezequiel. Quando não prestamos culto a Deus de todo o coração, o lugar Dele em nós fica vazio, aí entra o que lemos na primeira leitura: sobre a advertência acerca da idolatria (Êx. 20, 1-17). Podemos pensar que Jesus expulsa os vendilhões somente por que o povo valorizava mais o comércio do que o autêntico culto a Deus. O que é verdade. Mas não só isso! O templo era formado por diversas sub-partes desde o pátio dos pagãos ao santo dos santos, onde só ao sumo sacerdote podeira entrar. Jesus condenava o egoismo do povo que invadiu o lugar dos pagãos e estrangeiros de prestarem culto ao Deus Verdadeiro ("Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará... Minha Casa é Casa de Oração para todos os Povos" Is. 56,5-7), logo percebemos isso, porque os judeus escrupulosos jamais profanariam o seu lugar de culto com comércio, e sim a parte do Templo que não era tida como santa, a parte mais periférica. 
Para nós cristãos, Jesus é o Novo Templo o qual cada fiel cristão, novo Povo de Deus e constituído como Igreja vem prestar o autêntico culto a Deus. Somos um povo real, sacerdotal e profético constituídos pela vontade de Deus. Lembremos das palavras de S. Paulo: Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. (Romanos 12,1).  Todos somos hábeis a essa oblação ao Pai, por meio de seu Filho Jesus. Por isso que o Evangelista afirma ser Jesus o novo Templo. 

Reflitamos mais um pouco...

  • Venho à Igreja com verdadeiro desejo de honrar a Deus ou com um medo infantil de ir para o inferno, venho cumprir mero preceito?
  • Tenho buscado mais as curas de Jesus ou o Jesus que cura?
  • Tenho me esforçado no caminho de conversão quaresmal para banir do meu coração os "ídolos" que tem ocupado o lugar de Deus?



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