quinta-feira, 10 de maio de 2012

A PERSEVERANÇA CRISTÃ


Entendemos por perseverança: conservar-se firme, persistir, prosseguir, continuar, perdurar, subsistir... E ainda outras definições que poderíamos elencar aqui. E todas elas giram em torno de “manter-se constante numa empresa” (cf. Dic. Houaiss). 
Pela observação, percebemos que cada dia mais tudo é feito com muita rapidez: se evita filas longas de bancos por meio de transações bancárias via internet, por exemplo. E o efeito disto é que cada vez mais estamos menos paciente ante as contrariedades que exigem ou requerem de nós algum empenho mais intenso. As gerações que nos sucedem estão cada vez menos perseverantes.  Não tem havido o desenvolvimento desta virtude tão necessária à vida humana. Isto porque, as coisas mais preciosas que podemos fazer alcançar levam tempo para serem conquistadas. Como exemplo, citemos a comparação entre o cubo de gelo e a gema do diamante. O primeiro é facilmente fabricado facilmente, é duro, porém facilmente é perdido. Já o diamante, é o minério mais duro que existe e sua formação demora anos para ser concluída e depende de diversos fatores climáticos e atmosféricos para ser formado (exceto os  diamantes sintéticos). E apesar de não serem eternos, os diamantes duram mais do que uma vida humana.
Agora, transpondo isso para nossa vida cristã, percebemos que para se lucrar a salvação é necessário passar por diversas tribulações (cf. At.14,22). O próprio Jesus nos impõe a perseverança como condição primordial para a salvação: “o que perseverar até o fim será salvo” (Mc. 13,13). Penso que a perseverança é uma das virtudes mais necessárias à vida cristã. Recebemos de Jesus, pelo ministério da Igreja o Anúncio, a Boa Nova, o Evangelho da Salvação. Como a “boa semente” da Parábola do Semeador, somos chamados a guardá-la, cultivá-la na “terra boa” em nosso coração. Pois ele mesmo afirma que somente em um coração leal e bom pode retê-la e produzir frutos à força da perseverança.
Encontramos nas cartas de São Paulo o segredo para cultivar uma autêntica perseverança: a oração. São Paulo afirma em Cl. 4,2: “Perseverai na oração: que ela vos mantenha bem alertas (vigilantes) em ação de graças.” Logicamente, a oração supõe uma relação pessoal com Deus. Muitas vezes, temos uma visão deturpada de Deus, o que afeta nossa maneira de nos relacionarmos com ele. Quando temos uma compreensão autentica de Deus e, pela fé, compreendemos como ele é e nos ama, podemos certamente observar esta exortação do Apóstolo.  
À perseverança cristã sempre se levantam desafios, dentre eles, podemos destacar:
*        Ser influenciado e/ou alimentar no interior do coração, ideias desmotivadoras e contrárias à fé. Como por exemplo, ideias de origem deísta (acreditar na existência divina, porém, Deus não é o que as religiões apresentam...). O deísta afirma: “creio encontrar Deus mais facilmente fora do que dentro de alguma religião”;
*        Conceitos subjetivistas de origem protestante que, de alguma forma, se adota e acaba abraçando como verdade. Por exemplo, ao pensarmos na salvação que nos é oferecida gratuitamente por Cristo, nós dizemos que ela é individual ou pessoal? Aos ouvidos leigos, ambas as afirmações parecem corretas e justas. Mas para pessoas com base teológica, elas se apresentam muito distintas. Pois quando afirmamos que a “salvação é individual”, precisamos ter em mente a categoria de indivíduo. Para Martinho Lutero, cada pessoa é um indivíduo e também como batizado, é uma pequena igreja, isto é, eu me salvarei na medida em que eu desenvolvo minha relação com Cristo. Tudo isto, independente da minha relação com o outro, e cada um deve lutar para garantir para si o Paraíso. Já o pensamento católico, afirma que a salvação é pessoal. Pois o homem é pessoa (ser relacional) e necessariamente dependente dos outros. O próprio Cristo quis ser um de nós, viveu entre nós e se relacionou com seus semelhantes. E por isso, seguimos seus passos e lutamos por nossa salvação a nível comunitário. Porque juntos, como Igreja (Corpo de Cristo) é que obteremos a salvação, e não separados.
Percebem como um simples conceito muda completamente o sentido e a interpretação que damos a um mesmo farto? Por isso, é importante compreendermos a fé que vivemos e exercê-la de maneira ativa e consciente.
                Outro desafio que gostaria de citar é a dificuldade de se deixar levar pela combinação de três elementos: o ativismo (busca desenfreada pelo “fazer” e alcançar metas), a murmuração (passa-se a lamentar-se, queixar-se e lastimar-se quando não vê o sucesso do que foi feito) e o desânimo (perde-se o ânimo, o entusiasmo, a vontade de agir e se tem vontade de desistir e abandonar os caminhos de Deus).  Temos como exemplo, a vida de Marta no Evangelho de São Lucas (Lc. 10, 40s) que passa por estas três fases e vai se queixar com Jesus: “Senhor, não te importa que minha irmã me tenha deixado sozinha com todo o serviço?”
Percebemos uma assimetria no que São Paulo nos exorta a buscar, veja só:

Cl. 4,2:
Lc. 10, 40s
Orar
Ativismo
Vigiar
Desânimo
Louvar (ação de Graças)
Murmuração

                Por ultimo, é preciso perseverar na oração com Maria, a Mãe de Jesus. Assim como os discípulos reunidos em Comunidade (Igreja) logo depois que Jesus subiu para os Céus (cf. At. 1,14). Concluímos que a Perseverança é algo indispensável em nossa vida Cristã.
Frase de reflexão:

"A perseverança é a virtude pela qual todas as outras virtudes dão fruto." Arturo Graf.

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