domingo, 20 de janeiro de 2013

“Houve um casamento em Caná da Galileia...” (Homilia do 2º domingo do TC -C).

 - Leituras: Is 62, 1-5; Sl 95; 1 Cor 12, 4-11; Jo 2,1-11


“Houve um casamento em Caná da Galileia...”



O Evangelho que nos é proposto pela liturgia de hoje é muito rico de símbolos e significados. O seu contexto é esponsal, um casamentoO matrimônio é paradigma tangível de todo e qualquer amor. Ele implica um compromisso,  uma aliança.

 A Aliança entre Deus e seu povo foi muitas vezes descrita como um casamento, pois é um símbolo frequente do amor de Deus pelo seu povo eleito:
Como o jovem que se casa com uma jovem, assim teu criador se casará contigo. Mais que um recém casado, feliz com a esposa, contigo estará feliz o SENHOR (Bíblia CNBB, Is. 62,5  - 1ª leitura).

O significado do vinho:
  • Alegria: o vinho alegra o coração do homem (Sl. 104, 16);
  • Amor esponsal:  (...) exultemos e alegremo-nos contigo, celebrando teus amores, melhores que o vinho (Ct. 1, 4);
  • O Espírito Santo: Estes aqui não estão embriagados, como podeis pensar(...).  Está acontecendo o que foi anunciado pelo profeta Joel: ‘Nos últimos dias, diz o Senhor, derramarei do meu Espírito sobre toda carne... (At. 2, 15-16).


Neste contexto do casamento, vemos a união do Messias com a sua Igreja. Pois Jesus manifesta sua messianiedade ao transformar água em vinho, a Aliança é caracterizada pela transformação interior do ser humano (significado das seis talhas). Com a "abundância" de vinho, Jesus inaugura uma nova época, o seu tempo messiânico, isto é, o Reino de Deus.

É Jesus que traz esse vinho novo às nossas vidas, esse vinho é o Espírito Santo de Deus. É ele quem opera a transformação no nosso interior e se manifesta por meio dos dons da Aliança, também por ele distribuídos.

Os dons carismáticos, elencados por São Paulo na segunda leitura, são sinais da transformação ocorrida no ser humano. Paulo descreve apenas nove, mas poderiam ser muito mais. E na diversidade de dons e ministérios, esse Espírito nos une como Igreja e nos faz ser Povo/Família de Deus. Pois tudo fazermos devemos fazer em um mesmo Espírito (cf. I Cor. 12,11 - 2ª leitura).

A falta de vinho:
Antigamente as festa de casamento não eram como as  que temos hoje em dia. Isto devido as diferenças culturais e (que são enormes!). O casamento envolvia uma série de preparativos, que iam desde o contrato de casamento (entre as famílias dos nubentes), a cerimonia do noivado até a longa preparação que havia no dia do casamento. Além disso, a festa de um casamento judaico no tempo de Jesus durava até sete dias (cf. Jz. 14, 17).

O faltar o vinho era interpretado como um acontecimento trágico e vergonhoso para os noivos.

Em nossa vida espiritual, nos vem a faltar o vinho quando nós entristecemos o Espírito Santo (cf. Ef. 4, 30), por meio de uma vida de pecado e de desprezo de Deus.

Um sábio conselho para que jamais nos venha faltar o vinho do Espírito nos é dado pela Virgem Maria: Fazei o que ele vos disser (Jo. 2, 5). E Jesus não nos pede nada além de AMAR: ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo! (cf. Mt. 22, 34-40).

Assim, continuaremos sempre unidos no Espírito Santo, como Igreja, a Esposa do Cordeiro. Que a alegria matrimonial nunca desapareça do nosso ser e para sempre cantemos o canto novo (cf. Sl. 95), numa vida nova que louva a Deus.


Fontes:

Texto auxiliar: Bíblia da CNBB <http://www.pr.gonet.biz/biblia.php>;
Notas exegéticas de estudo: Bíblia do Peregrino;
Dicas de homilia: Padre Micael de Moraes http://esquemasdehomilias.blogspot.com.br/

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