sábado, 19 de janeiro de 2013

"Maria pode salvar alguém???" Dúvida de um leitor... (Parte 02).

Ainda em resposta ao nosso leitor evangélico Gustavo:

Agora, passemos aos aspectos doutrinais (teológicos) que nosso leitor menciona em seu depoimento:

·         “Como ela poderia ser ‘mãe de Deus?’”
Crer na maternidade divina de Maria é algo muito antigo no Cristianismo. É o dogma que encontra mais consenso entre as Igrejas cristãs, pois tem base bíblica e foi formulado no Concílio de Éfeso, no ano 431 d.C. Para a Igreja ortodoxa, “Theotókos (Mãe de Deus) não é um título opcional de devoção, mas a pedra de toque da verdadeira fé na encarnação. Negá-lo é colocar em questão a unidade da pessoa de Cristo como Deus encarnado” (K. Ware). A pessoa e a vocação de Maria só podem ser compreendidos no contexto cristológico. E porque se reverencia a Cristo como O Senhor, no mistério da criação, redenção e recapitulação, considera-se Maria a Mãe de Cristo Nosso Deus, como também a mãe universal, de toda a humanidade, doadora de vida para toda a criação. Ou seja, se você duvida que Maria seja Mãe de Deus, você também duvida que Jesus seja realmente Deus!

A posição dos “reformadores” protestantes: Lutero aceitava atribuir a Maria o título de “Theotokos” (literalmente: “parturiente de Deus”. E a “fórmula da concórdia” da Igreja luterana, em 1557, diz: “nós cremos, ensinamos e confessamos que Maria é justamente chamada Mãe de Deus e que o é verdadeiramente”. Posição semelhante assume Zwinglio: “Maria é justamente chamada, ao meu ver, genitora de Deus, Theotókos”. Já Calvino prefere falar de “Mãe de Nosso Senhor” (Cristotókos).
 Hoje, os teólogos reformados que aceitam o título Theotókos insistem que a maternidade divina de Maria deve ser que ser compreendida exclusivamente em relação a Jesus; não como privilégio humano, mas sim fruto da Graça de Deus. E que não se considere Maria como uma deusa.
Você, caro Gustavo, se for membro de uma igreja evangélica (que é diferente das protestantes tradicionais) deve ter realmente muitas dúvidas quanto à doutrina comum às Igrejas cristãs. Pois cada vez mais os ditos “evangélicos” têm se distanciado do Cristianismo. Muitos até possuem práticas semelhantes às judaicas (como guardar o sábado, ao invés do domingo, Dia do Senhor, etc...). Tudo isso, porque querem reinventar o que já existe.
A parte da Ave Maria que você passou a ter tanto receio de pronunciar, por ser algo “polêmico”, é fruto da devoção popular. Aconselho-lhe a dar uma olhada em nossa última postagem: Como surgiu a oração da Ave-Maria...

·         “Como ela (Maria) poderia rogar por alguém?”
Lhe conto algo muito importante: no Credo que professamos todos os domingos nas Celebrações litúrgicas possui um artigo: “Creio na Comunhão dos Santos”. Na terminologia paulina encontramos a expressão CORPO DE CRISTO (cf. I Cor. 12, 12-14;  Rm. 12,5;  Ef.  3,6; 5,23, e Cl.  1,18 e 1,24). E mais tarde, foi acrescentado o adjetivo: MÍSTICO. Assim, chamamos a Igreja com Corpo Místico de Cristo. Como um corpo possui muitos membros, assim também é a Igreja de Cristo.

Cremos por este dogma da comunhão dos santos que os fiéis, através da fé em Cristo e do sacramento do Batismo, são partes da Igreja e membros deste Corpo único, místico, inquebrável e divino, cuja cabeça invisível e divina é o próprio Cristo e a cabeça visível ou terrena é o Papa. Este nome é assente também na crença de que os fiéis são unidos intimamente a Cristo, por meio do Espírito Santo, sobretudo na Eucaristia. Assim, no altar de Deus, toda a Igreja é beneficiada: A Igreja militante (que somos nós aqui na terra, que estamos a caminho), a Igreja padecente (que expia suas penas no purgatório para que possam entrar devidamente preparados no Reino de Jesus) e a Igreja triunfante (que já se encontra na presença sublime do Santo dos santos, o próprio Deus). Afirmo que há uma ligação entre terra e céu, graças a esta comunhão dos santos. Pois o Corpo está unido, graças a vontade de Deus.

E na comunhão podemos dizer que exista a intercessão dos santos. O Catecismo da Igreja Católica afirma no nº. 2635: Interceder, pedir em favor de outro, desde Abraão, é próprio de um coração que está em consonância com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo; é a expressão da comunhão dos santos. Na intercessão, aquele que ora "não procura seus próprios interesses, mas pensa, sobretudo nos dos outros" (Fl 2,4) e reza por aqueles que lhe fazem mal. Logo, nós católicos não renunciamos a única mediação válida na Escritura, como você mesmo citou: I Jo. 2, 1.



Continua. Parte 3.

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