quinta-feira, 7 de março de 2013

4º Domingo da Quaresma, ano C.


Informações básicas:
 - O Pai Misericordioso/Amoroso;
- Oração –  Cristo realiza a reconciliação, que o povo vá à Páscoa exultando de fé.
- Leituras: Js. 5, 9-12; Sl. 33; 2 Cor. 5, 17-21; Lc. 15,1-3.11-32.

Observações:
·         "Domingo Laetare" ou "Domingo da Alegria": viver a alegria da reconciliação! É fundamental neste domingo relacionar as leituras com o verdadeiro espírito litúrgico do Sacramento da Penitência.

Parábola do Pai Amoroso (filho pródigo/esbanjador):

·         NOTA EXEGÉTICA: O Evangelho de hoje, encontrado em Lucas 15, compõe a última das três parábolas da Misericórdia. É destinada aos coletores (de impostos) e pecadores, que acolhem a "Boa Nova" de Jesus com alegria; isso à contragosto dos fariseus ("separados/que se separaram" do resto da população comum para se consagrar o estudo da Lei e das suas tradições) que se consideravam melhores, justos e santos. Na base da parábola: "Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva" (Ez. 18, 23-32).


"Este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado".


1.      Pedir a herança - esta era dada apenas após a morte do pai: clamar a morte para ele, atitude de desprezo (Pela antiga Lei, o filho mais novo teria direito 1/3 dos bens móveis de seu pai);
2.      Lugar distante - afastado do controle paterno, em terras estrangeiras em busca de liberdade. O que o filho consegue é afundar-se na libertinagem (abuso da liberdade) que o lança na absoluta miséria;
3.      Cuidar de porcos - ofício humilhante para um judeu. Os porcos eram tidos como animais impuros e esses tinham (no texto) melhor condição do que seu cuidador;
4.      A necessidade o faz ter saudade da casa do pai - "lá eu era mais feliz do que agora..." (cf. Jr. 2, 19). Ao superar o interesse próprio, em momento de reflexão, percebe a profundidade de seu pecado: que vai contra Deus (cf. Sl. 51,8);
5.      O abraço do Pai - o amor do pai é tamanho que transpõe a ofensa (pecado) do filho (cf. Jr. 31,20). No abraço é selada a reconciliação, mesmo antes do filho confessar o seu pecado;
6.      O traje e o anel -  símbolos da retomada da dignidade de filho, que se havia perdida pelo pecado. É um "reviver", e não uma simples volta. Por isso deve ser festejada com alegria.

O retorno do filho prodigo, Rembrandt.
Faz-se importante ressaltar que encontramos três posturas/atitudes nesta parábola: a do filho esbanjador, a do Pai amoroso e a do filho mais velho e ciumento (É DIGNO DE IMPORTANCIARESSALTAR ALGUNS ASPECTOS DA POSTURA DOS DOIS FILHOS):

O filho após esbanjar os próprio bens, a própria vida , recorda-se da bondade do Pai com relação aos empregados. Inúmeras vezes agimos assim com Deus, quando somos levados por nossos caprichos e má vontade, acabamos optando em dizer "não" a Deus e aderindo ao pecado! A atitude do filho esbanjador nos revela que longe de Deus o homem não têm as mínimas condições de ser feliz. Por isso, ele vai ao encontro do seu próprio interior e toma a decisão do retorno, da conversão, e vai ao encontro do Pai misericordioso que o acolhe e perdoa-o com o gesto amoroso, o perdão foi dado. Como na primeira leitura ele está de volta a sua terra prometida, não somente uma terra física, mas à casa do Pai.

Enfim, a última postura que podemos assumir é a do irmão mais velho e ciumento. Esse, que estava sempre na casa do pai, mas que não sentia-se filho, e sim como mais um empregado. Pois executava suas tarefas com presteza e eficiência, sempre obediente às regras da casa, etc... Ele tentava ganhar o amor do pai, não por ser filho, mas por seus próprios méritos. Agarrado à sua visão estreita, não podia ver porque o pai era tão misericordioso, e em sua atitude só poderia ter ressentimento. Também ele é chamado pelo pai a uma reconciliação. Se temos problemas ou dificuldades na comunidade de amar e acolher o outro - independente do que tenha feito - e ainda não nos esforçamos para superar tal sentimento, corremos o risco de nos privarmos da Casa do Pai.

São Paulo nos faz um importante convite (2ª leitura): Deixai-vos reconciliar com Deus! Isto quer dizer, que para viver a alegria verdadeira em Deus, precisamos nos reconciliar com ele, por meio do sacramento da Confissão. Atendamos pois o apelo paulino e nessa quaresma deixemos, na plena liberdade, nos reconciliar com Deus, que o contemplar de sua face nos traga a alegria verdadeira, como afirma o salmo de hoje (cf. Sl. 33).

Fontes:

Notas exegéticas de estudo: Bíblia do Peregrino;
Dicas de homilia: Padre Micael de Moraes http://esquemasdehomilias.blogspot.com.br/


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