domingo, 16 de junho de 2013

Homilia do 11º Domingo do TC, C.

Informações básicas:
- Perdoada porque amou muito
- Oração –  Dai-nos vossa graça para poder agir conforme a vossa vontade.
- Leituras: 2 Sam 12, 7-10.13; Sl 31; Gl 2, 16.19-21; Lc 7, 36-8,3.
“Porque o amor apaga uma multidão de pecados” (1 Pd 4, 8).

“Àquele a quem se perdoa pouco mostra pouco amor”.

O texto evangélico proposto para a liturgia de hoje é situado na primeira parte do Evangelho de S. Lucas. Onde Jesus coloca me prática seu "programa de vida", isto é,  a sua missão como “anunciar a Boa Nova aos pobres, proclamar a libertação aos cativos e mandar em liberdade os oprimidos” (cf. Lc 4,16-30). 
Este episódio, onde temos a pecadora perdoada, põe em evidência um tema caro a Lucas: a misericórdia de Jesus frente àqueles que necessitam de libertação. A ação da mulher (o choro, as lágrimas derramadas sobre os pés de Jesus, o enxugar os pés com os cabelos, o beijar os pés e ungi-los com perfume) é descrita como uma resposta de gratidão, como consequência do perdão recebido (v. 47). A parábola que Jesus conta, a este propósito (vv. 41-42), parece significar não que o perdão resulta do muito amor manifestado pela mulher, mas que o muito amor da mulher é o resultado da atitude de misericórdia de Jesus: o amor manifestado pela mulher nasce de um coração agradecido de alguém que não se sentiu excluído nem marginalizado, mas que, nos gestos de Jesus, tomou consciência da bondade e da misericórdia de Deus. Por isso, diante da abertura amorosa da mulher, o perdão é dado e assim ela é reabilitada em seu amar e em sua vida.
A outra figura central deste episódio é Simão, o fariseu (hipócrita).  Jesus procura fazê-lo entender que só a lógica de Deus – uma lógica de amor e de misericórdia – pode gerar o amor e, portanto, a conversão e a vida nova. Jesus empenha-se em mostrar a Simão que não é marginalizando e segregando que se pode obter uma nova atitude do pecador; mas que é amando e acolhendo que se pode transformar os corações e despertar neles o amor: essa é a perspectiva de Deus. O perdão não se dá a troco de amor, mas dá-se, simplesmente, sem esperar nada em troca. 
Na primeira leitura, Davi instrumentaliza uma vida (uma mulher) para seu bel-prazer e ainda, entrega à morte um inocente. E Depois age com hipocrisia diante de Deus. O hipócrita usa uma "máscara" constantemente e, por fim, acaba crendo no seu próprio fingimento (fato este, que nem sempre é consciente!). A hipocrisia é um veneno para nossa alma. É diante do Senhor que todas as nossas máscaras devem cair! Foi exatamente o que Davi fez e obteve o perdão. E com o perdão de Deus experimentou verdadeiramente o Seu amor. Nós todos somos convidados a nos abrir à obra salvadora de Cristo e abrir-nos à sua entrega na Cruz para que Ele viva em nós, e como ícones de seu amor, com Ele pregados na Cruz, demonstrar por nossos atos e nossas palavras a sua presença amorosa. Pois seremos julgados, não a partir do que fazemos (esforço pessoal), mas seremos julgados a partir da medida com que amamos. E com este olhar de misericórdia, somos convidados a aderir à “lógica” de Deus: Ele não pactua com o pecado, mas manifesta uma misericórdia infinita para com o pecador. É esta a nossa “lógica” quando alguém nos magoa ou ofende? (nos questionemos quanto a isso!).
Quando agimos com misericórdia, à semelhança do Senhor, ele também usa de misericórdia para conosco (cf. Tg. 2,13). E obtendo o perdão de Deus é que encontraremos nossa felicidade, como o salmista nos diz: é feliz o homem que foi perdoado.


Dicas de homilia: Padre Micael de Moraes http://esquemasdehomilias.blogspot.com.br/
Comentários da Conferência  Episcopal Portuguesa:  http://www.ecclesia.pt/cgi-bin/comentario.pl?id=690


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