quarta-feira, 30 de abril de 2014

Vida de Padre (parte 2).

Em 2009 postei aqui em nosso blog um artigo com este seguinte título: "Vida de Padre..." Porém, não sabia que o mesmo poema intitulado "Oração do Sacerdote no domingo à tarde", de autoria do padre Michel Quoist, possui uma continuação. Acabo de encontrar o poema na íntegra aqui nos arquivos de nossa Paróquia (na Itália). Vale à pena fazer uma tradução do trecho que falta: 

[Diz o Senhor:]

Filhinho, não estás só, Eu estou contigo, sou contigo.
Eu havia uma necessidade excessiva de humanidade para continuar a Minha Encarnação e a minha Redenção.
Eu te escolhi desde toda a eternidade.
Eu preciso de ti.

Eu preciso de tuas mãos para continuar a abençoar;
Eu preciso de teus lábios para continuar a falar;
Eu preciso do teu corpo para continuar a sofrer;
Eu preciso do teu coração para continuar a amar;
Eu preciso de ti para continuar a salvar, permaneces comigo, meu filho.

***

Eis me aqui, Senhor;
Eis o meu corpo,
Eis meu coração,
Eis a minh’alma.
Tornai-me maior o quanto possível, para que eu alcance o mundo.
Tornai-me tão forte o quanto necessário para poder sustentá-lo.
Tão puro quanto possível para poder abraça-lo, se desejar retê-lo.
Concedei-me de me tornar terra de encontro, estrada que não conduza a si mesma,
Pois não há nada de humano à ultrapassar que não conduza a Vós.

Minha ordenação, 01-06-2013.
Senhor, nesta tarde, enquanto tudo silencia em meu coração, sinto duramente esta mordida da solidão,
Enquanto meu corpo grita longamente devido à sua fome de prazer,
Enquanto os homens me devoram a alma e eu me sinto incapaz de saciá-los,
Enquanto sobre meus ombros o mundo inteiro pesa com todo o seu peso de miséria e de pecado,
Eu Vos repito o meu “sim”, não em uma risada, mas lentamente, claramente e simplesmente.
Sozinho, ó Senhor, diante de Vós,
Na paz da tarde.  

Padre Michel Quoist

Do livro intitulado: Prières (em italiano: Preghiere), 1954.   

domingo, 27 de abril de 2014

Comemoramos cem mil acessos...



Com a graça de Deus, chegamos aos cem mil acessos de cinco anos de blog. Obrigado a todos os nossos leitores!

sábado, 26 de abril de 2014

Um pouco de política: "O PT começou a morrer. Que bom!" diz FOLHA.

O PT ensaiou uma reação quando veio a público a avalanche de malfeitorias óbvias na Petrobras: convocou o coração verde-amarelo da nação. Tudo não passaria de uma conspiração dos defensores da “privataria”, interessados em doar mais essa riqueza nacional ao “sagaz brichote”, para lembrar o poeta baiano Gregório de Matos, no século 17, referindo-se, em tom de censura, aos ingleses e a seu espírito mercantil. Não colou! A campanha não pegou. 
Desta vez, parece, os larápios não vão usar o relincho ideológico como biombo. Até porque, e todo mundo sabe disto, ninguém quer nem vai vender a Petrobras. Infelizmente, ela continuará a ser nossa, como a pororoca, o amarelão e o hábito de prosear de cócoras e ver o tempo passar –para lembrar o grande Monteiro Lobato, o pai da campanha “O petróleo é nosso”. A intenção era certamente boa. Ele não tinha como imaginar o tamanho do monstro que nasceria em Botocúndia.
Há nas ruas, nas redes sociais, em todo canto, sinais claros de enfraquecimento da metafísica petista. Percebe-se certo cansaço dessa estridência permanente contra os adversários, tratados como inimigos a serem eliminados. Se, em algum momento, setores da sociedade alheios à militância política profissional chegaram a confundir esse espírito guerreiro com retidão, vai-se percebendo, de maneira inequívoca, que aquilo que se apresentava como uma ética superior era e é apenas uma ferramenta para chegar ao poder e nele se manter.
A arte de demonizar o outro, de tentar silenciá-lo, de submetê-lo a um paredão moral seduz cada vez menos gente. Ao contrário: há uma crescente irritação com os estafetas dedicados a tal tarefa. Se, antes, nas redes sociais, as críticas ao petismo eram tímidas, porque se temia a polícia do pensamento, hoje, elas já são desassombradas. E se multiplicam. Os blogs sujos viraram caricatura. A cultura antipetista está em expansão. E isso, obviamente, é bom.
Notem: não estou a fazer previsões eleitorais. Não sei se Dilma será ou não reeleita; não me importa se o PT fará mais parlamentares ou menos; mais governos de Estado ou menos. Quem me lê deve supor o meu gosto para cada uma dessas possibilidades. Ainda que o partido venha a ter o melhor desempenho de sua história, terá começado a morrer mesmo assim. Refiro-me, à falta de expressão mais precisa, a uma “agitação das mentalidades” que costuma anunciar as mudanças realmente relevantes.
Pegue-se o caso do PT: não nasceu em 1980. Surgiu alguns anos antes, de demandas geradas por valores a que a política institucional, as esquerdas tradicionais e o nacionalismo pré-64, que remanescia, já não conseguiam responder. À diferença do que ele próprio deve pensar, Lula não inventou o PT. O espírito do tempo é que inventou Lula.
“Ah, mas a oposição não tem projeto!” A cada dia, fica mais evidente que essa história de “projeto” é conversa para embalar idiotas. Não é preciso parir a novidade a cada eleição. Ao contrário: o espírito novidadeiro costuma traduzir um vazio de ideias. Estancar a ladroagem nas estatais é uma boa proposta. Parar de flertar com a inflação é uma boa proposta. Desmontar o aparelhamento do estado é uma boa proposta. Estabelecer parcerias com o setor privado, em vez de comprar a sua adesão com subsídios e renúncia fiscal, é uma boa proposta. E nada disso compõe, exatamente, um “projeto”. A propósito: qual é o do PT?

Se querem, para o bem do país, tirar Dilma do trono, seus adversários devem se ocupar menos de encontrar a “pedra filosofal da oposição” do que de lembrar que estão a falar com um povo, na média, decente, a cada dia menos tolerante com bandidos que prometem a nossa salvação. Espero que Aécio Neves e Eduardo Campos descubram, finalmente, a força dos indivíduos e de seu senso de moralidade. São eles que criam o espírito do tempo. E que formam o povo.

Reinaldo Azevedo, Jornalista.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldoazevedo/2014/04/1445129-o-pt-comecou-a-morrer-que-bom.shtml

A recordação que o ex-arcebispo de Buenos Aires (Papa Francisco) escreveu depois da morte de João Paulo II

Se não me engano, era 1985. Em uma tarde, fui recitar o Terço do Rosário que o Santo Padre conduzia. Ele estava diante de todos de joelhos. O grupo era numeroso; eu via o Santo padre de costas e, pouco a pouco me deixei envolver pela oração. Não estava sozinho, mas rezava em meio ao povo de Deus ao qual pertencíamos eu e todos aqueles que estavam ali, guiados pelo nosso Pastor.

No meio da oração, me distraí, admirando a figura do Papa: a sua piedade, sua devoção era um testemunho. E o tempo desvaneceu, e comecei a imaginar o jovem sacerdote, o seminarista, o poeta, o operário, o menino de Wadowicie...  Na mesma posição a qual se encontrava naquele momento rezando as Ave-marias uma após a outra. Seu testemunho me comoveu.  Senti que aquele homem, escolhido para guiar a Igreja, havia percorrido um caminho até à sua Mãe do céu, um caminho iniciado em sua infância. E me dei conta da densidade que tinham  as palavras da Mãe de Guadalupe a São Juan Diego:  “Não temas, acaso não sou eu tua Mãe?” Incluindo a presença de Maria na vida do Papa.
O testemunho não se perdeu. Desde aquela época eu recito diariamente todos os mistérios do Rosário.

* Esta recordação foi escrita pelo então Cardeal Arcebispo de Buenos Aires Mons. JORGE MARIO BERGOGLIO (atual Papa Francisco) para a Revista mensal “30Dias” dedicada à morte do Papa João Paulo II (n. 4, abril 2005, p. 43). 

Ex-porta-voz do Vaticano destaca que os três traços da santidade do Papa Wojtyla...

O porta-voz, durante 22 dos 26 anos que durou o pontificado de João Paulo II, o espanhol Joaquín Navarro Valls, sublinhou hoje que uma pessoa que rezava como o pontífice polonês "estava em contato direto com Deus e, portanto, já era um santo". "Desde os primeiros tempos, quando eu estava perto dele, quando trabalhava com ele, e desde as primeiras vezes que o vi simplesmente orar; nesses momentos tive rapidamente a certeza de que este homem era um santo”, assegurou.
A Sala de Imprensa da Santa Sé convidou na manhã de hoje o Dr. Navarro Valls para oferecer uma coletiva de imprensa por ser uma das pessoas mais próximas do beato João Paulo II, frente à sua canonização, juntamente com o Papa João XXIII, no próximo domingo.
Durante o seu discurso, o ex-porta-voz do Vaticano destacou que os três traços da santidade do Papa Wojtyla foram: "rezar, trabalhar e sorrir”, mas principalmente valorizou a sua maneira de rezar. "A oração era para ele como respirar, era constante, necessária e intensa", disse Navarro Valls, que recordou entre as várias anedotas, vividas pessoalmente, esta característica do Papa Polonês, que às vezes se esquecia de quem estivesse do seu lado e perdia a noção do tempo que passava, devido à sua concentração na oração.
Neste mesmo sentido, relatou que João Paulo II ia à capela perto do seu refeitório para rezar três minutos antes e depois de jantar, e revelou que Karol Wojtyla rezava “levando na mão pequenos pedaços de papel”. “Certa vez, perguntei ao seu secretário: ‘Que diabo são esses papeizinhos?’”, revelou. Nesses pedacinhos de papel, que ficavam no genuflexório da sua capela particular, os seus colaboradores tinham escrito, por petição do Papa Polonês, o nome e a causa pela qual pediam para rezar nas várias cartas que recebia a cada dia. “O papa rezava pelas necessidades dos outros, jamais por si mesmo”, observou.
Em alguns dias das suas férias no Vale d' Aosta, localidade italiana da cordilheira dos Alpes, a luz da capela da casa onde se hospedava permanecia acesa desde as três da manhã até o amanhecer, disse. “Não sabia perder um minuto sem dedicar à oração. Ele nunca tinha pressa”, insistiu.
Navarro Valls também destacou o "grande senso de humor do Papa" e seu sorriso sempre presente. "Uma das coisas mais tristes para mim foi como, devido à doença de Parkinson, desapareceu o sorriso no rosto", assegurou e sublinhou que "um santo nunca pode ser triste" e João Paulo II estava sempre sorrindo. "Apesar de seus problemas de saúde, da quantidade de problemas que chegavam à sua mesa... nunca perdeu o bom humor”, acrescentou.
Além disso, o colaborador próximo do Papa polonês explicou que "a santidade não existe em abstrato, no testemunho bíblico diz que só Deus é santo, a Igreja não faz santos, confirma a vida de santidade que a pessoa levou nesta terra”. Neste sentido, observou que "se alguém quiser ser santo deverá começar o quanto antes porque quando morrer, nunca mais terá essa oportunidade”.

Por fim, o ex- porta-voz do Vaticano afirmou que “João Paulo II tinha uma enorme capacidade de trabalho. Um trabalho que era intenso e surpreendente. Era o trabalho de um santo". "Posso dizer-lhes que em toda a minha vida nunca vi alguém que trabalhasse como ele. João Paulo II não sabia fisicamente como perder um só minuto, porém nunca tinha ansiedade”, continuou. E concluiu reconhecendo que “os seus colaboradores tiveram que aprender a levar esse estilo de vida e ele tinha uma capacidade muito grande conectar as menores coisas com os maiores valores”.

Fonte: Zenit.

De volta ao blog em 2014...

Depois de um longo período de adaptação em nossa nova missão aqui na Itália, decidimos por bem, retornar com nosso blog. Confesso que estava com saudades de minhas postagens aqui e de tudo que partilhamos em matéria de fé, liturgia curiosidades (e politica também!). 
O ato de "blogar", para um blogueiro, deve ser sempre divertido! A pesar de que muitos dos temas que abordamos são tidos como "pesados" e incômodos. Enfim, é sempre algo necessário. 
Bem vindos de volta!




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