sábado, 26 de abril de 2014

A recordação que o ex-arcebispo de Buenos Aires (Papa Francisco) escreveu depois da morte de João Paulo II

Se não me engano, era 1985. Em uma tarde, fui recitar o Terço do Rosário que o Santo Padre conduzia. Ele estava diante de todos de joelhos. O grupo era numeroso; eu via o Santo padre de costas e, pouco a pouco me deixei envolver pela oração. Não estava sozinho, mas rezava em meio ao povo de Deus ao qual pertencíamos eu e todos aqueles que estavam ali, guiados pelo nosso Pastor.

No meio da oração, me distraí, admirando a figura do Papa: a sua piedade, sua devoção era um testemunho. E o tempo desvaneceu, e comecei a imaginar o jovem sacerdote, o seminarista, o poeta, o operário, o menino de Wadowicie...  Na mesma posição a qual se encontrava naquele momento rezando as Ave-marias uma após a outra. Seu testemunho me comoveu.  Senti que aquele homem, escolhido para guiar a Igreja, havia percorrido um caminho até à sua Mãe do céu, um caminho iniciado em sua infância. E me dei conta da densidade que tinham  as palavras da Mãe de Guadalupe a São Juan Diego:  “Não temas, acaso não sou eu tua Mãe?” Incluindo a presença de Maria na vida do Papa.
O testemunho não se perdeu. Desde aquela época eu recito diariamente todos os mistérios do Rosário.

* Esta recordação foi escrita pelo então Cardeal Arcebispo de Buenos Aires Mons. JORGE MARIO BERGOGLIO (atual Papa Francisco) para a Revista mensal “30Dias” dedicada à morte do Papa João Paulo II (n. 4, abril 2005, p. 43). 

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