quinta-feira, 6 de novembro de 2014

“É a mãe Igreja que vai e busca os seus filhos para fazer justiça” diz Papa Francisco

Eu não preparei nenhum discurso, só quero dizer Olá", disse com toda a espontaneidade o Papa Francisco na manhã de hoje, recebendo em audiência na Sala Paulo VI os participantes do Curso de prática canônica ‘super rato’ promovido pelo Tribunal da Rota Romana. E apesar de não ter preparado nada para dizer o Santo Padre com certeza queria dizer algo.
Começou exortando a Igreja a não prender os casais por anos e anos em um limbo de incerteza sobre a validade ou não do seu matrimônio. Não está certo isso, e nem é caridoso, destacou o Santo Padre.
Não é por acaso que o argumento foi colocado entre os principais temas do Sínodo Extraordinário sobre a família, durante o qual - disse o Papa - "foi falado sobre os procedimentos, processos, e há uma preocupação por agilizar os procedimentos, por questão de justiça”. Justiça “para que sejam justas”, destacou Bergoglio, mas também porque existem pessoas que “esperam por anos uma sentença”.
No fundo este é o motivo por que, em setembro, um mês antes do Sínodo, o Bispo de Roma quis criar uma comissão especial para a reforma do processo matrimonial canônico, com o objetivo de simplificar o processo, tornando-o mais rápido, salvaguardando o princípio da indissolubilidade do casamento. Também durante a audiência de hoje, o Papa recordou a natureza e a finalidade da organização: a sua principal tarefa - disse - é ajudar a "preparar diferentes possibilidades nesta linha: uma linha de justiça, assim como de caridade, porque há muita gente que precisa de uma palavra da Igreja sobre a sua situação matrimonial, pelo sim e pelo não, mas que seja justa”.
"Alguns procedimentos são tão longos ou tão pesados que não favorecem, e as pessoas abandonam", disse o Papa. Citou, por exemplo, um Tribunal inter-diocesano de Buenos Aires, que, em primeira instância, tem cerca de 15 dioceses, a mai distante a 240 km. “Não é possível – disse Bergoglio – é impossível imaginar que pessoas simples, comuns, recorram ao Tribunal: precisam viajar, perder dias de trabalho, também o prêmio... tantas coisas... Dizem: ‘Deus me entende, e sigo adiante assim, com este peso na alma’”.
Portanto, a "mãe Igreja deve fazer justiça e dizer: 'Sim, é verdade, o casamento é nulo - Não, o seu casamento é válido’”. Porque a justiça está justamente no dizer, para que estas pessoas possam “seguir em frente sem esta dúvida, este vazio na alma”.
Portanto, "sempre em frente", exortou o Papa Francisco. “É a mãe Igreja que vai e busca os seus filhos para fazer justiça”. Isso não significa que não se tenha que ter “muito cuidado”, que os procedimentos “não entrem no âmbito dos negócios". "Não falo de coisas estranhas", disse o Papa, "também houve escândalos públicos. Já tive que demitir do Tribunal uma pessoa, há muito tempo, que dizia: ‘10, 000 dólares e te faço os dois processos, o civil e o eclesiástico'".
"Por favor, isso não!", exclamou, "no Sínodo algumas propostas falaram de gratuidade, temos que ver... Mas, quando o interesse espiritual está ligado ao econômico, isso não é de Deus! A mãe Igreja tem muita generosidade para fazer justiça gratuitamente, como gratuitamente fomos justificados por Jesus Cristo”. Portanto, é importante separar as duas coisas: a justiça dos negócios, e vice-versa.

E também é importante "estudar" e "seguir em frente", sempre à procura "da salus animarum, que – concluiu o Papa – não necessariamente está fora da justiça, mas sim, com justiça”. 

fonte: Zenit

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