domingo, 26 de julho de 2015

Análise de conjuntura política da CNBB (junho 2015) comentada por Carlos Amorim.

Postamos abaixo na integra o texto do jornalista Carlos Amorim:

Uma análise de conjuntura política da Conferência Nacional dos Bisposdo Brasil (CNBB), datada de 30 de junho e distribuída a todos os bispos católico do país, acusa o Congresso de criar uma agenda “hostil aos direitos humanos”. Critica a politização do Judiciário, especialmente em relação à “Operação Lava-Jato”, que investiga desvios de dinheiro público para partidos e políticos. De quebra, ataca o plano de ajuste fiscal do governo, que segundo os bispos penaliza direitos trabalhistas historicamente consagrados.
Com relação ao Congresso, dirigido por “aliados” do Planalto, o documento da Igreja Católica indica uma atuação parlamentar que visa interesses políticos e econômicos. Na opinião dos bispos, o Congresso trabalha para encurralar o governo, com uma agenda “refratária à garantia de direitos”. E mais: os bispos afirmam que há uma “sub-representação” popular na Câmara dos Deputados, em razão de problemas no sistema político brasileiro. Por meio de campanhas políticas milionárias, baseadas em doações de empresas e corrupção, são eleitos representantes do empresariado e de banqueiros, com baixa atuação popular.
A CNBB vai além: descreve um governo refém do Congresso, como se estivéssemos num regime parlamentarista. Para dar o tom exato dessa crítica, afirma o seguinte: “(o governo)… transparecendo aturdido, é na verdade beneficiário e indutor dessa agenda (conservadora)”. Da parte do Planalto, até agora, ninguém rebateu as acusações católicas. Já dizia o ditado popular: “Quem cala, consente”.
Nas críticas ao Judiciário, mas sem referências diretas à “Operação Lava-Jato”, que apura as bandalheiras na Petrobras, os bispos asseguram que há uma crescente politização na justiça. Informam que alguns elementos dos tribunais têm “uma atuação seletiva”, com “abstração dos princípios da imparcialidade”. Pior: “(…) se estabelece um rito sumário de condenação, agravando os direitos fundamentais da pessoa humana, seja ela quem for”. Mas não para por aí: “Não se faz justiça com açodamento ou com uma lentidão que possa significar impunidade”. Questionando as “delações premiadas” (inclusive com dinheiro), dizem os bispos: “Tais práticas, realizadas com os holofotes da grande mídia brasileira, transformam réus confessos em heróis”.
O documento da CNBB, com pouca repercussão na mídia, é um dos mais graves questionamentos políticos a respeito do período democrático no Brasil. Sobre a política econômica do Partido dos Trabalhadores (PT), comandada por um banqueiro, santa ironia, os bispos católicos afirmaram o seguinte: “Boa para o capital, ruim para o trabalho”.
Em um país de maioria católica, a opinião dos bispos da “Igreja de Pedro” deveria fazer algum sentido. Ou não? Tudo indica que não vai fazer sentido algum em meio à crise que vivemos. Somos todos surdos?

*Grifo nosso. 

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