quinta-feira, 27 de agosto de 2015

26 de Agosto: Nossa Senhora do Monte Claro ou Nossa Senhora de Częstochowa. Padroeira da Polônia.

Abrindo uma nova "tag" em nosso blogue: "COM MARIA TODOS OS MESES", iniciamos com a Padroeira da Polônia. 

O quadro de Nossa Senhora de Monte Claro não é somente venerado em Częstochowa, mas em toda a Polônia e em diversos lugares do mundo. Os poloneses que por tantos motivos eram obrigados a deixar a pátria e migraram, levavam consigo o quadro de Nossa Senhora de Monte Claro. Os imigrantes construiram igrejas, capelas que dedicaram à Nossa Senhora de Monte Claro. No Brasil temos também alguns templos, paróquias que levam o nome de Nossa Senhora de Monte Claro ou Częstochowa.
O centro espiritual da Polônia é a cidade de Częstochowa. Caminhando pela Avenida de Nossa Senhora (Aleje Najświetszej Maryi Panny) em Częstochowa, o peregrino avista-se com uma colina chamada JASNA GÓRA (Monte Claro). Em cima dela ergue-se um complexo de edificações: a igreja-basílica e o convento dos padres paulinos. No centro deste complexo encontra-se um tesouro todo especial que possui Jasna Góra (Monte Claro), tesouro que influi decisivamente na vida e caráter da colina: o quadro da Mãe de Deus, Maria Santíssima, chamada NOSSA SENHORA DE MONTE CLARO (ou: Nossa Senhora de Częstochowa). O quadro é conhecido também como VIRGEM NEGRA. Ele mede 112x82 cm.

Na segunda metade do século XV, o eminente historiador polonês Jan Długosz escreveu em “Liber beneficiorum diocesis cracoviensis”, que em Częstochowa “mostram a imagem de Maria preclara, Virgem muito venerável, soberana do mundo e nossa, imagem feita com uma rara e maravilhosa arte. A expressão do seu rosto é muito doce, independente do lado que se olha. Dizem que foi São Lucas Evangelista que pintou esta imagem (...). Aqueles que contemplam esta imagem sentem-se invalidos por uma particular devoção: sentem-se como se olhassem para uma pessoa viva”. Essa descrição poética de Długosz não corresponde exatamente a verdadeira história do quadro. Nem a análise artística, e nem a análise histórica chegam às concluções definitivas.
Pode se constatar que o original do quadro era um ícone bizantino inspirado numa imagem venerada em Constantinopla a partir do século V, num bairro de pilotos e guias do porto. Esse tipo representação da Virgem com Menino no braço esquerdo, que nas suas versões mais antigas tinha numa das mãos um rolo de pergamino, mais tarde um livro, chamava-se “Hedegedria”. O original de Constantinopla foi destruido durante a invasão da cidade pelos turcos no ano de 1453. Na época já existiam várias cópias e versões, famosas no mundo cristão. Uma delas é a chamada Virgem de Neves, ou Salus Populi Romani, que se encontra na capela paulina da basílica romana Santa Maria Maggiore e outra é justamente a Virgem de Czêstochowa. É difícil determinar a data de origem desta última. Poderia ser pintada no período de V até XIV século. Quando ao lugar, também não se chegou a uma definição.
O que se sabe, é que o quadro chegou a Jasna Góra (Monte Claro) no dia 31 de agosto de 1382, trazido por Ladislau de Opole (Władysław Opolczyk), Governador de Rutênia, que residiu na cidade de Bałz nos anos de 1372 até 1387. A imagem então devia ser trazida à Jasna Góra de Rutênia. Encontramos a descrição de seu translado num manuscrito do século XV. Este manuscrito confirma também o culto ao quadro. Refere-se também aos donativos e valiosas oferendas trazidas pelos peregrinos não só da Polônia, mas também do estrangeiro. “... de toda a Polônia e dos países vizinhos como Silésia, Morávia, Hungria, Prússia”.
 Os paulinos levaram o quadro ultrajado à Cracóvia para mostrá-lo ao rei Ladislau Jagiełło. O rei mandou restaurar o quadro. Primeiro a restauração foi confiada aos artistas da corte, que favoreciam a pintura bizantino-russa. Não conseguindo uma restauração desejada, o rei entregou o quadro aos artistas da Europa Ocidental. Foram estes artistas que deram o toque final ao quadro.

Os monjes e fiéis haviam se acostumado às cicatrizes no rosto da Virgem. Seguindoos cortes nas tábuas do quadro, os artistas pintores, ao restaurá-lo, colocaram dois raios vermelhos na face direita de Nossa Senhora. Desta maneira, nasceu uma imagem sacra mais característica da cultura polonesa: bizantino oriental no seu conteúdo e européia ocidental na sua forma.
 Um dos fatos que marcou a história do mosteiro e do santuário do Monte Claro, foi a invasão dos suecos, em 1655. Após esta vitória, em 1656 o rei João Casimiro reuniu sua corte e solenemente consagrou o seu reino a Nossa Senhora.
Mais tarde, instituiu-se no dia 3 de Maio a festa da Rainha da Polônia. A festa de Nossa Senhora de Monte Claro celebra-se no dia 26 de agosto.
Desde o século XV, o fundo do quadro foi coberto de placas de prata que representam as cenas da vida de Jesus e Maria e de Santa Bárbara. As coroas de ouro da Virgem e do Menino foram doadas pelo Papa Pio X por ocasião da nova coroação.
Nos últimos tempos, expões-se o quadro com mais freqüência sem os mencionados adornos. Por isso, o colorido autêntico do quadro aparece mais expressivo. A severidade bizantina do modelo com a suavidade e lirismo da pintura européia da primeira metade do século XV, determinam o encanto único do gênero com que a Virgem de Częstochowa sub-juga os peregrinos e os visitantes. É o maior tesouro de Jasna Góra (Monte Claro), não só de ponto de vista do culto, mas também do ponto de vista artístico, sem falar do seu incomparável valor histórico.

Autoria do texto:  
 Pe. Zdzislaw MALCZEWSKI SChr

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