sábado, 29 de agosto de 2015

A “judaízação” da IURD, como isso acontece…

Estava refletindo sobre este estranho processo de “judaízação” da igreja dita “universal” (que ironicamente em grego quer dizer:  katholike - “católica”). Achei muito pertinente compartilhar este artigo da Revista Veja do ano passado, intitulado: RABINO EDIR? QUASE. VALE A PENA RESSALTAR QUE O ARTIGO PERTENCE A UMA FONTE LAICA:

De quipá, xale de orações, barba de profeta e chamado por alguns de seus pastores de “sumo sacerdote”, o nome dado ao religioso supremo do antigo povo de Israel. Edir Macedo fez uma mudança surpreendente na narrativa da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), a maior confissão neopentecostal do país, criada por ele.
Os elementos da religião judaica que o líder evangélico passou a incorporar imprimem um novo significado à sua obra magna, o gigantesco Templo de Salomão do Brás, em São Paulo, inaugurado na semana passada.
Uma vez que Macedo não ficou louco, não rasga dinheiro nem pretende deixar de arrecadá-lo, a virada judaicizante é analisada fora da Iurd à luz da carreira excepcionalmente bem-sucedida do homem que partiu de zero para 1,9 milhão de fiéis em menos de quatro décadas – com um pequeno encolhimento nos últimos anos, produto da concorrência.
“É uma estratégia de marketing. Ele quer recuperar o que já teve e, fantasiado assim, dar uma nova guinada em sua teologia. Edir é conhecido por não ter nenhuma coerência bíblica”, diz um dos maiores líderes evangélicos do país, e concorrente de Macedo.

O Templo de Salomão, aberto com a presença da presidente Dilma Rousseff e do governador paulista Geraldo Alckmin, é um sinal de que Macedo pensa mais do que grande. O templo original, descrito na Bíblia, foi erguido em Jerusalém no reino de Salomão, quase 1 000 anos antes de Cristo, como a primeira construção permanente de louvor a YHWH, Deus de Israel. Foi destruído por Nabucodonosor, rei da Babilônia, e reconstruído em 516 a.C., sob a designação conhecida como Segundo Templo.
Na catástrofe seguinte, foram as tropas do Império Romano que puniram uma rebelião não só arrasando o templo como levando o povo judeu à diáspora. Um Terceiro Templo, místico ou real, é esperado por judeus e cristãos que acreditam nas profecias sobre o fim dos tempos.

Enquanto isso não acontece, mórmons, maçons e agora a Universal fazem suas versões. Não é coisa pouca. No ano passado, Macedo falou da grandiosidade de sua construção e aproveitou para passar o solidéu: “Pensem em doar 10% – não é o dízimo – ao templo. Só a iluminação dele custou 22 milhões de reais. Vai somando. As 10 000 cadeiras, mais 22 milhões. As pedras, que vieram de Israel, 30 milhões. O som saiu por 10 milhões. Estamos fazendo tudo do melhor. Amém, pessoal?”.

O que Macedo quer é superar a Igreja Católica. Esse templo tem quatro vezes o tamanho do Santuário de Aparecida e é agora a maior construção religiosa do país”, acredita Ricardo Mariano, professor de sociologia da USP e especialista em igrejas neopentecostais.

Ele dá exemplos do impulso expansionista da Universal: “Em 37 anos de existência, ela abriu quase 200 igrejas, dentro e fora do país, tem a segunda maior rede de TV, um partido político e parte dos 50 milhões de evangélicos, um quarto da população brasileira”.
Mariano também aponta a conexão teológica das igrejas evangélicas com o judaísmo, através da ênfase no Antigo Testamento. Robson Rodovalho, bispo fundador da igreja Sara Nossa Terra, diz que os judeus são “queridos e protegidos pelos evangélicos; em orações e em posicionamentos pró-Israel”.
Templos da Universal há anos exibem menorás, candelabros de sete velas, um dos principais símbolos do judaísmo, mas os paramentos litúrgicos portados por Macedo e outros pastores em cultos recentes – quipá, o pequeno chapéu, e talit, o xale branco com listas azuis, que rabinos e judeus religiosos usam para fazer preces e em cerimônias nas sinagogas – trazem praticamente uma revolução teológica.

Os obreiros passaram a ser chamados de levitas, como os sacerdotes bíblicos originais – que deixaram de existir com a destruição do Segundo Templo -, usando trajes brancos com faixas douradas na cintura. Macedo e sua família já estão morando no maior dos cinquenta apartamentos construídos dentro do gigantesco templo.

Ao todo, a obra, inaugurada ainda sem alvará dos bombeiros, custou 685 milhões de reais e inclui detalhes realistas, como oliveiras no paisagismo e um altar no formato da Arca da Aliança, onde na Antiguidade se acreditava que estavam guardadas as tábuas com os Dez Mandamentos.
A religião judaica não busca converter novos
fiéis e costuma receber mal a apropriação de seus símbolos. De um ponto de vista neutro, porém, será muito interessante acompanhar para onde Edir Macedo pretende conduzir seu povo.



GRIFO NOSSO. 

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